"Schools, at every level, prefer to teach what can be taught, rather than what needs to be learnt."
- Charles Handy, in Myself and Other More Important Matters
Tradução livre:
"Escolas, em todos níveis, preferem ensinar o que pode ser ensinado, ao invés do que precisa ser aprendido."
A mais pura verdade. Aliás, esse semestre eu provavelmente me formarei um comunicólogo, um cientista em comunicação social - termo apropriado, já que o curso forma em teoria comunicólogos (com o perdão do trocadilho).
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
Frase
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Sergio Schuler
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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
De Recursos Humanos para Gestão de Talentos
Seth Godin (guru de marketing) fala sobre como para a imagem do setor de "RH", é melhor para o setor de "Talentos". Leia o pequeno artigo (em inglês): Marketing HR.
Um trecho:
Understand that in days of yore, factories consisted of people and machines. The goal was to use more machines, fewer people, and to design processes so that the people were interchangeable, low cost and easily replaced. The more leverage the factory-owner had, the better. Hence Personnel or the even more cruel term: HR. It views people as a natural resource, like lumber.
Like it or not, in most organizations HR has grown up with a forms/clerical/factory focus. Which was fine, I guess, unless your goal was to do something amazing, something that had nothing to do with a factory, something that required amazing programmers, remarkable marketers or insanely talented strategy people.
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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
Organizational Culture and Leadership (Edgar Schein)
Este livro é um verdadeiro tratado sobre cultura organizacional, como lidar com cultura organizacional e como líderes podem criar e moldar culturas em diferentes “épocas de vida” de uma organização, desde sua criação até maturidade e declínio.
O mais legal do livro é que além de ensinar os fundamentos para se entender a cultura, suas dimensões e como é moldada, dando exemplos práticos e reais de suas consultorias, o livro também dá as barbadas de fazer na prática uma avaliação e mudança de cultura (especialmente simples se tu tens alguma manha de facilitação de processos em grupos). É um prato cheio - e bem fácil de digerir, já que o autor é superpragmático e sintético. Sem dúvida será de grande ajuda para essa nova empreitada cultural a qual me submeterei na Noruega.
Agradeço ao Henrique Vedana, já que foi ele que indicou no seu blog esse livro que é material básico recomendado pela Kaos Pilots.
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quarta-feira, 3 de outubro de 2007
Tornando-se superprodutivo
Quem nunca se pegou dizendo “depois eu faço isso” sem nenhum bom motivo, apenas para não fazer “agora”? Procrastinar é uma coisa comum entre nós, alguns mais, outros menos, mas todo mundo já deu um jeito de se convencer de fazer algo depois - mesmo que algumas vezes isso vá trazer mais problemas, como ter de fazer hora extra, fazer algo correndo, enfim. Porém existem técnicas para aumentar a produtividade e vencer esse espírito do “deixa pra depois”. Uma das técnicas mais famosas entre os taradinhos da hiperprodutividade é o GTD (de Getting Things Done ou “Fazendo as Coisas Acontecer” ou algo assim). Eu vou explicar brevemente o que é isso, ainda que não seja uma explicação lá muito precisa porque eu mesmo jamais li o livro fundador da “filosofia” GTD, apenas alguns pequenos artigos aqui e ali que me inspiraram para um método pessoal de produtividade que é parecido com GTD, mas não exatamente.
Idéia central por trás do GTD
GTD é um método que se baseia na idéia de que as pessoas tem problemas em fazer coisas - qualquer tipo de coisa. E desse problema com as coisas é que vem a ansiedade, preocupação, etc. Então, se nós nos livrássemos de alguma forma dessas “coisas” na nossa cabeça, seríamos mais felizes.
Como usar esse tal GTD
1. Todas as “coisas” precisam ser catalogadas. Isso significa ter uma lista de ações de tudo que você precisa fazer, desde “ligar para o cliente X para marcar uma reunião” até “comprar flores para o aniversário de namoro”. Tudo é colocado em listas separadas dependendo do contexto: e-mails que precisam só ser lidos vão para uma pasta, os e-mails que precisam ser respondidos vão pra outra, coisas pessoais vão em uma lista, coisas de um projeto vão em outra, bom, você entendeu, catalogar tudo.
2. Depois de catalogar tudo, começa a parte de processamento. Qualquer coisa que pode ser feita em menos de 2 minutos é feita imediatamente.
3. Todas as coisas descritas na lista de ações devem ser escritas o mais concretamente possível em ações de verdade, logo “marcar reunião” não é correto, mas sim “ligar para João e marcar reunião sobre GTD”. Isso se dá porque quanto mais aberto, mais chance de não fazermos, de ficarmos nos preocupando no “como fazer” ou de escrever algo que não é factível de ser feito.
Seguindo esses 3 pontos, o sistema em si não importa, se você quiser usar um dos inúmeros softwares de GTD que inventaram, se quiser fazer uma espécie de jogo com GTD, se quiser anotar num caderno ou no bloco de notas do computador, não importa.
O meu sistema
É bem baseado no GTD, é bem simples também:
1. Anoto tudo que preciso fazer em um documento do bloco de notas. Anoto assim [CONTEXTO] ação, por exemplo “[AIESEC] mandar e-mail marcando reunião de coach com o VP de Campinas”.
2. No início do dia organizo meu dia, deixando claro tudo que vou fazer hoje. Divido as coisas em “hoje”, “amanhã”, “essa semana”, “próxima semana” e “um dia desses” (para coisas que são só lembretes, mas que não são lá muito prioritárias pra mim).
3. Se eu não estiver perto do computador, anoto num caderninho e depois passo para o bloco de notas.
4. Começo pelas mais rápidas até as mais complexas.
5. Cada vez que “mato” uma ação, vou lá e apago do bloco de notas. É impressionante como isso dá uma sensação de alívio, você deveria experimentar.
6. Quando chego ao fim da lista de “hoje”, dou uma olhada se não devo adiantar nada, se não devo, vou fazer qualquer coisa divertida, como jogar no computador, ir ao parque, etc. É ótimo ter a mente livre de preocupações para aproveitar o ócio sem culpa.
--
Leia mais: perfil de David Allen (criador do GTD) feito pela Wired
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quinta-feira, 13 de setembro de 2007
Como contratar alguém
Estava lendo o Think:Lab, que é um blog que fala basicamente sobre o futuro da educação (um tópico que me é bastante caro por conta de alguns planos futuros), e lá estava o link para um post do blog do Marc Andreesson, fundador da Netscape, entitulado "como contratar as melhores pessoas com quem você já trabalhou" (tradução livre), no contexto do Think:Lab o principal destaque é uma das frases do sujeito, que diz "inteligência por si só é levada mais em conta do que realmente deveria" (ou algo assim, sem paciência para super traduções exatas).
Não vou resumir o artigo, vá lá e leia, mas Marc fala sobre 3 características que deveríamos olhar quando contratássemos alguém:
Drive (direcionamento, motivação) - pessoas que tem um "drive" geralmente são aquelas que podem derrubar um muro às dentadas se isso é o necessário para se alcançar o objetivo. Essas pessoas tem uma motivação interna que os conduz e faz com que não desistam (uma coisa meio "nunca se render, nunca recuar" do 300). Pessoas sem motivação são difíceis de motivar, sério. Motivação é "ter motivos", algumas pessoas simplesmente não os têm, por mais que a empresa tente dá-los. Motivação é sim um fator interno - ainda que afetado em larga escala por fatores externos - mas, mesmo assim, essencialmente interno. Pessoas têm ou não têm, ambientes e pessoas podem afetar.
Curiosity (curiosidade) - se a pessoa gosta do que faz, ela em geral vai procurar, fuçar e se informar sobre o máximo possível de coisas sobre o assunto. Pessoas que amam seu trabalho são boas por causa disso, elas sempre vão estar à frente, porque estão sempre por dentro das novidades.
Ethics (ética) - é meio auto-explicativo, mas é impressionante como isso costuma ser negligenciado. Pense o seguinte, se uma pessoa é desonesta em algumas coisas, como por exemplo em uma entrevista de emprego, ela provavelmente será desonesta também com seu empregador. Num mundo de web 2.0, com CEOs "getting naked" e se dando bem com isso, onde mais nenhuma empresa está segura escondendo as malandragens, ética é uma característica imprescindível.
Esses 3 critérios talvez sejam etéreos para você, mas pense bem, das pessoas que realmente eram muito boas no que faziam, quantas dessas não tinham essas 3 características? Se eu for pensar, acho que todo mundo com quem eu já trabalhei e admirei o trabalho tinham essas 3 características, enquanto aquelas em que era mais complicado de trabalhar faltavam pelo menos duas delas, se não as três.
E o mais importante, como você se avalia nestas 3 características?
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domingo, 9 de setembro de 2007
Seu sonho é reter talentos? Faça-os sonhar então
Eu comecei esse post para escrever sobre um artigo que vi no ChangeThis, o artigo intitula-se The Turnover Dilemma: A Question to Keep Employees by Matthew Kelly (recomendo que você leia se entende inglês). São 10 páginas com letras BEM grandes onde basicamente o autor fala do quanto é necessário reter talentos (principalmente do ponto de vista financeiro da organização) e como fazer isso nas organizações basicamente linkando aspirações pessoais de cada funcionário com seu trabalho.
Eis um pequeno quote do artigo:
If you look at the employees of almost any company today you see people from one extreme to the other in terms of engagement: from the highly engaged to those who have quit but refuse to leave. So, what is the difference between these employees? Is it their work? No. There are janitors who are more engaged than some nurses. The nature of the work does not produce engagement in and of itself. Is it the pay scale? No. There is no amount of compensation that can guarantee engagement. Is it the employees level of intellect? No, in fact, some of the smartest people are the most disengaged from their work. So, what is the difference? Highly engaged employees tend to have a vision that they are working toward.
Ainda que eu concorde desde o princípio de que é essencial linkar aspirações pessoais com objetivos organizacionais para reter talentos, eu a princípio discordei que outros elementos, como o enriquecimento do trabalho em si e liderança não eram essenciais. Mas isso também me levou a um dilema que eu sempre tive: ok, é possível enriquecer certos cargos, fomentar trabalho em time, essa coisa toda, mas como fazer para engajar alguém com um trabalho como faxineiro, jardineiro, pedreiro, técnico em computador?
Aí lembrei da minha própria história, quando eu “suportei” um trabalho que não gostava porque sabia que ele me ajudaria a chegar no meu sonho:
Em 2001, estava no primeiro semestre da faculdade de publicidade e propaganda, mas trabalhava com montagem e conserto de microcomputadores (já que no segundo grau eu tinha feito o curso técnico de processamento de dados). Eu não tinha nenhuma experiência na área e tinha plena certeza que seria isso que me faria ser um publicitário - não a faculdade. Graças a uma incrível e inesperada ação de networking, consegui uma entrevista em uma grande agência em Porto Alegre, a já falecida Upper. Acabei sendo contratado, não como publicitário, mas como assistente do técnico de manutenção dos computadores.
Porém, a coisa era óbvia pra mim: estar dentro da agência de publicidade era metade do caminho para ser publicitário.
No primeiro mês eu fazia uma espécie de jornada dupla, arrumava os computadores e fazia as tarefas de manutenção necessárias (algo que não ocupava as 8 horas do meu dia) e no resto do tempo passava andando pra lá e pra cá na agência, entendendo como era o processo de trabalho, conhecendo o que cada área fazia, enfim, vendo o que era ser um publicitário na prática. O trabalho era bem idiota, mas eu tinha um sonho: ser publicitário. E eu sabia que aquilo por mais idiota que fosse o trabalho, aquilo ali me ajudaria a chegar ao meu sonho.
Já no fim do primeiro mês, um dos arte-finalistas, o Franco, estava saindo para uma outra agência onde ele seria diretor de arte - a evolução padrão de quem é arte-finalista e o sonho dele. Era um trabalho técnico, mas achei que seria uma ótima porta de entrada. Sempre fui muito rápido em aprender as coisas, era bom com computadores, já entendia um pouco de macintosh por conta do meu trabalho em manutenção dentro da agência e o Franco era um sujeito legal. Reconheci a oportunidade, sentei do lado dele e disse “ok, sei que tu está saindo e não quer mais fazer isso, façamos um trato, tu me ensina como fazer e eu faço teu trabalho”.
Virei arte-finalista.
Havia me livrado de uma vez por todas da assistência técnica em informática, mas não era ainda o que eu queria. Eu queria na verdade ser da criação, porque arte final era um trabalho bem técnico dentro da publicidade. Consistia basicamente em pegar o que a criação fazia e tornar aquilo viável para impressão. Porém, ser arte finalista me dava domínio dos programas usados pelos diretores de arte - ser arte-finalista era mais um passo para meu sonho, então agüentei o tranco.
Peguei o ritmo de agência, porém o trabalho de arte-finalista não me agradava muito. E o agravante era que eu estava descobrindo que eu queria sim ser da criação, mas não queria ser diretor de arte (a evolução natural do meu cargo), mas sim redator. O Word me parecia bem mais atraente do que o mouse. Então passei a me achegar mais dos redatores para ver como conseguir chegar lá. Não se passaram 2 meses e o Henrique, um dos donos da agência e também redator na criação, estava fazendo um brainstorm de alguns títulos comigo. De repente ele se levantou pra ir pegar um café ou atender o telefone, sei lá, e eu me sentei na cadeira dele e comecei a escrever alguns títulos. Quando ele voltou ficou impressionado com o que eu tinha feito. Aprovamos um dos títulos que eu tinha feito.
Voltei a minha jornada dupla a partir daí: passamos a criar diversas peças juntos. Eu atuava como diretor de arte pra ele, mesmo que não fosse o que eu gostava, era bem melhor que ser arte-finalista (que eu continuava sendo). Tinha esperança de que poderia passar para a redação desta forma - e como ainda estava recebendo como estagiário da técnica da informática, decidi pedir um aumento. Fui negado sem grande cerimônia de que eu receberia um aumento quando passasse em definitivo pra criação.
Porém, depois de uns 6 meses nessa, vi pessoas entrarem e saírem da criação e a chance não me era dada. Comecei a perceber o óbvio: eles não queriam perder um arte-finalista barato e eu não tinha chances de ser redator ali. Frustrei-me, mas decidi agir: comecei a criar meu próprio portfolio, fazendo a arte e os textos, mas para procurar outro emprego, desta vez como redator.
Em uns 3 meses consegui o emprego em uma agência de marketing interno, a Happy House. Finalmente eu seria redator. Informei para o pessoal do financeiro que ia sair, os mesmos que haviam me negado o aumento, e imediatamente eles se ofereceram para dobrar meu salário.
Foi ótimo dizer “não” para eles.
O dinheiro realmente não me interessava naquele momento. O salário no meu novo emprego seria exatamente igual à miséria que eu recebia como arte-finalista, mas ao menos eu estava chegando onde queria, ao meu sonho.
Na Happy House fiquei um pouco mais de um mês, mas logo percebi que criar para marketing interno não era o que eu queria, era muito limitado, eu queria que meu trabalho fosse para o público em geral. E aí fui chamado para ser redator em um estúdio de design, chamado Código Design. Mais uma vez mudei de emprego. O salário era um pouco melhor, mas realmente não muito, só mudei porque, mais uma vez, isso estava conectado com meu sonho de ser publicitário.
Acho que isso é prova suficiente de que, realmente, o mais importante é conectar o que cada funcionário quer da sua vida com o trabalho que ele realiza. O resto ajuda muito, como por exemplo um bom líder, mas nenhum líder pode motivar alguém que absolutamente não tem conexão com o trabalho que desempenha. O líder pode ajudar a pessoa a fazer essa conexão, mas não criá-la. Lembro-me de uma frase que exemplifica bem isso:
“Podemos levar o cavalo até água, mas é impossível obrigá-lo a bebê-la.”
Hoje eu não quero mais ser publicitário, meu sonho é trabalhar com desenvolvimento de potencial humano - coisa que descobri como vocação na AIESEC, onde ainda desempenho esse tipo de tarefa. Trabalho de graça (inclusive muito mais do que pra minha própria empresa), só porque sei que isso vai me ajudar a alcançar meu sonho no futuro.
O poder do sonho, o poder da visão, é realmente impressionante. Lembro-me de outra frase: “quem tem ‘por quê’, agüenta qualquer ‘como’”.
Uma última pergunta: você sabe quais são os seus sonhos?
- Leia também: "Se um homem não sabe a que porto se dirige, nenhum vento lhe será favorável." - Sêneca
- Leia também: War for Talent (pesquisa da McKinsey)
- Leia também: The Turnover Dilemma: A Question to Keep Employees by Matthew Kelly
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Sergio Schuler
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quinta-feira, 30 de agosto de 2007
O poder do pensamento positivo (sem segredo algum)
Deixe-me lhe contar uma história da minha infância. Essa história é para ilustrar meu ponto, mas é 100% verdadeira:
quanto eu tinha lá meus 10 anos ou algo em torno disso, um grande fenômeno acontecia nas vizinhanças de toda cidade, locadoras de jogos que também funcionavam como fliperamas. Se você é um pouco mais velho ou ligeiramente mais novo, não sabe do que eu estou falando, então eis uma rápida explicação: essas locadoras de jogos funcionavam como nossas locadoras comuns de DVD, só que alugavam jogos para videogame (fitas, no caso). Porém, muitas não só alugavam os jogos, mas tinham videogames instalados para se alugar por hora, de modo que se você não tivesse o videogame, também podia curtir a coisa toda. Àquela época esse troço suplantou os fliperamos com diversas vantagens, mas a principal dela é que mesmo que você fosse muito ruim, só sairia dali quando acabasse seu tempo.
Eu tinha um desses videogames intermediários (algo como hoje é o PlayStation, o primeirão) e a locadora do meu bairro estava fazendo uma promoção que o vencedor levaria um videogame de última geração (algo como o PlayStation 3). Como minha família não tinha lá muitos recursos, depositei minha fé no concurso. A coisa toda era simples, a cada hora que você jogava na locadora, ganhava um cupom, botava na urna e concorria. Até aí ótimo. Falei da promoção para minha mãe e minha vó. Esta última, ligada numa dessas filosofias de vida orientais que diz que “pensamento cria”, me disse que se eu pensasse positivo, eu ganharia o videogame. Como é, se eu acreditar que vou ganhar eu vou ganhar?
Aquilo não me parecia tão ruim.
Acreditei que ganharia. Todo dia afirmava que iria ganhar. Estava no papo. O videogame seria meu, não restava dúvidas. Obviamente jogava minha uma horinha pra meter mais cupons e reforçar a corrente positiva. Eu estava tão confiante que ia ganhar, tinha tanta certeza, que no dia do sorteio levei uma mochila vazia nas costas para carregar o videogame numa boa. Papeis para o ar, o dono da loja pega um deles na mão. Ele lê o resultado.
Não ganhei.
Como? Eu tinha feito tudo certo, pensamento positivo e tudo.
Pois é, não ganhei.
Portanto, leitores do bombado “O Segredo”, livro que não li, mas sei que fala do poder “miraculoso” do pensamento positivo, cuidado quando acreditarem que pensamento positivo por si só pode resolver tudo. A mente é muito poderosa, mas um soco no queixo também o é.
Agora uma outra história, que fala como ser positivo pode ser a solução:
Estava eu na transição da diretoria da AIESEC Porto Alegre. Eu era o mais cru do bando que havia sido eleito para liderar a organização no ano de 2006 (aliás, o melhor ano da minha vida, ainda falarei sobre isso aqui), nunca tinha trabalhado de fato com gestão de talentos, mas estava lá, na cara e na coragem para ser o Vice-Presidente de Gestão de Talentos. A diretoria antiga nos propor fazer uma das partes da transição na praia - e lá fomos nós para o “belo” litoral gaúcho. Em um momento, precisamente no almoço, eles nos propuseram um joguinho, uma dinâmica boba, muito conhecida na AIESEC, que é assim:
uma pessoa escreve em etiquetas adesivas algum tipo de instrução, por exemplo “grite comigo”, “me peça opiniões”, “discorde de mim”, “me peça ajuda”, etc etc etc. Aí essas etiquetas são coladas nas testas da pessoa, sem que essas pessoas vejam o que está escrito em sua etiqueta. Aí todo mundo age com as outras pessoas de acordo com o que está escrito na testa dessa pessoa.
É bobo, eu sei, mas é divertido.
Então começamos a interação, notei que nunca ninguém me respondia, era como se eu não estivesse na sala. Demorou bem pouco para eu descobrir que na minha testa deveria estar escrito “me ignore”. Negativista e focado no problema que era então, apenas me calei e não interagi mais, pois sabia que não seria respondido. Quando me levantei para pegar mais comida, ao voltar ao meu lugar havia alguém sentado nele. Fui almoçar sozinho, meio entristecido pelo meu papel limitador.
Hoje, muito mais positivo e focado na solução, dou risada da minha patetice e da minha falha em enxergar uma oportunidade clara por só pensar que eu tinha um problema. Quem nunca pensou em ser invisível para aprontar por aí? Imagine o poder que eu tinha nas minhas mãos, eu seria ignorado fazendo QUALQUER coisa, ou seja, eu poderia passar a mão na bunda de alguém, tirar as calças, dançar, fazer cócegas - e eu nem precisaria me levantar para pegar comida, bastaria pegar no prato de alguém que estivesse do meu lado.
Qual a diferença entre as duas histórias? A primeira eu apenas pensei positivo e esperei que o sagrado deus do pensamento positivo me ouvisse, na outra (se eu tivesse feito algo) eu teria visto uma oportunidade positiva em uma situação em que a maioria acharia negativa e tomaria uma ação para aproveitar essa oportunidade.
Então, meus amigos leitores do “O Segredo” (e minha vó também), eis o meu desabafo:
- Pense positivo, mas acima de tudo aja positivo. Aproveitar as oportunidades que ninguém vê, esse é o segredo do pensamento positivo, não há nenhuma mística nisso.
Leia também: Desafio Happy Feliz Challenge
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Sergio Schuler
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