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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Faça o que eu digo E o que eu faço

Uma coisa que eu aprendi sendo líder e liderado, é que poucas coisas são mais poderosas para inspirar a forma com que os liderados pensam ou (re)agem é o próprio exemplo do líder. Por exemplo, se o líder grita, as pessoas também vão gritar.

Então, como líder, nunca peça para alguém fazer o que você mesmo não faria, porque não é justo e provavelmente não vai funcionar.

Walk the talk.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Eu não me abstive

Resultados imprevisíveis para a eleição para presidente da AIESEC no Brasil (MCP): nunca tivemos tantos candidatos (três) e nunca tivemos esse resultado: nenhum dos candidatos eleitos, graças a abstenção em massa dos comitês locais na hora de votar (11 abstenções, 2 votos em mim, 2 votos na Mari e 2 votos para o Túlio). Posso dizer que fiquei um pouco entristecido. Não por não ter sido eleito, porque afinal eu entrei preparado para ganhar ou pra perder, mas por ninguém ter sido eleito.

É meio duro perder pra ninguém.

Vejo esse resultado como uma mensagem clara de que nenhum de nós 3 conseguiu convencer os comitês de que estávamos preparados e éramos as pessoas certas para liderar a organização nos anos de 2008 e 2009. Digo que nenhum “conseguiu”, dando atenção especial a essa palavra, porque acredito sim que eu estava preparado, mesmo depois de todos os feedbacks que recebi do porque não consegui o voto das pessoas.

Ou seja, concordo que não me apresentei bem, não encantei as pessoas, não atendi suas expectativas, porém discordo do resultado. Foi sem dúvida um grande aprendizado, até pelos feedbacks que recebi. Os mais recorrentes que recebi foram esses:

- Simplificação em excesso - eu parecia ver tudo de uma forma bem simplista, quase que prosaica dos problemas da AIESEC no Brasil, passando a idéia de que resolvê-los era fácil (o que não é de nenhuma forma verdadeiro).

- Arrogância - Até por eu dizer que as coisas eram simples, parecia um pouco arrogante da minha parte, como se ninguém tivesse conseguido fazer o que eu tinha como visão para a AIESEC no Brasil por pura burrice. Não ajudava também minha expressão corporal na hora de responder às perguntas, que para a grande parte da platéia soou como arrogante, quando na verdade eu gostaria apenas de passar confiança.

- Falta de praticidade, o popular “como vai fazer isso? - apesar de eu ter uma direção estratégica bem clara para a organização, eu não mostrei a maneira que eu ia conseguir fazer isso. Faltou detalhismo, faltou contextualizar, faltou convencer as pessoas de que eu realmente conseguiria fazer isso.

- Relacionamento interpessoal fraco - eu sou a pessoa mais tosca do mundo em cultivar amizades, ser carismático e puxar assuntos. Ser competente (ainda mais no Brasil), não é o suficiente, é preciso ser legal. Nisso eu estou a zilhões de anos luz do ideal.

Eis os meus comentários sobre esses feedbacks e a relação disso com um MCP ideal:

“Simplificação em excesso” e “falta de praticidade, o popular ‘como vai fazer isso?’” - Concordo plenamente que eu fiz isso e foi um erro, afinal, como diz o Márcio Jappe “nunca subestime a ignorância alheia” (o que significa não um xingamento, mas sim que omitir informações importantes achando que as pessoas entendem sem isso é geralmente um erro). Como disse, concordo com o feedback, porém sinceramente acho muito mais importante para um presidente saber a direção a seguir do que exatamente como fazer em detalhes (afinal, há um time de especialistas em cada área justamente para isso, saber como fazer).

Acredito que isso tenha muito a ver com estilo de liderança. Eu dificilmente seria um líder impositor e que pretende saber tudo sobre tudo. Eu não quero um time de “tarefeirtos”, eu quero um time que me complete e que saiba pensar. Uma vez que a visão aponta pra uma direção, nós decidimos juntos como é a melhor forma de chegar lá. Se a idéia é que o presidente tenha o plano operacional de cada área na cabeça e que saiba tudo sobre todos os subsistemas, realmente então seria um erro me eleger, porque eu não penso que isso seja o principal pra um presidente.

No fim das contas, eu jamais disse que seria “fácil”. “Simples” e “fácil” são coisas bem diferentes. Einstein disse "A Natureza é exatamente simples, se conseguirmos encará-la de modo apropriado", se alguém acha que o pensamento de Einstein é simplório ou fácil, que levante a mão. Eu apenas encaro os problemas de maneira simples: se meu cachorro morrer, é simples, vou enterrá-lo, mas isso de modo algum será fácil emocionamente. É questão de posicionamento, “se não tem solução, está solucionado”.

“Arrogância” e “relacionamento interpessoal fraco” - arrogância tem a ver com eu simplificar demais e também com eu ser muito ruim em fazer conexões com as pessoas. Parece que sou arrogante, mas eu simplesmente evito as pessoas porque não tenho muito o que dizer a elas.

Acho até bem importante o presidente ser bom em lidar com pessoas fora do trabalho e fazer conexões, porém isso eu consigo fazer muito bem com um grupo de pessoas seleto (meu time, por exemplo). O problema é ser amigo de todos 500 delegados ou 1300 membros da AIESEC no Brasil. Mais uma vez, o feedback é verdadeiro, mas não acho que seja esse o ponto crucial de sucesso de um presidente. A bem da verdade, eu preciso que o meu time me ache foda e que o resto ache o meu time foda. Eu quero que os membros do meu time brilhem, eu não preciso estar nos holofotes.

E por que eu acho que seria um bom presidente?

- Eu tinha uma visão - a visão era um pouco diferente do atual, mas na minha óptica da coisa bem condizente com o planejamento de longo prazo e razoável para alcançar as metas de 2008-09, além de dar um passo importante rumo a visão 2010. Talvez os comitês gostariam que eu expressasse essa visão de maneira mais clara, porém fracassei em fazê-lo, principalmente com 2 minutos para fazê-lo entre cada pergunta.

- Foco em resultado e desenvolvimento de pessoas - ir em busca dos resultados incessantemente é uma das minhas características e o resto não importa (até por isso eu sou pragmático e “simplista”), porém em uma organização como a AIESEC não dá pra perder de vista também o desenvolvimento do time. Em última instância, esses seria meus motes: resultado e desenvolvimento.

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Essas são as reflexões apenas alguns dias depois do ocorrido. Com certeza mais virão, minhas idéias podem até mudar radicalmente, quem sabe? Mas por enquanto eu realmente não concordo com a decisão - porém a aceito com o coração aberto, sabendo que o erro maior foi meu do que do processo de eleição ou dos comitês que votaram.

É muito improvável que eu me candidate novamente para esse segundo round. Na verdade agora estou procurando oportunidades fora do país, em outra AIESEC. Quero ser MCVP fora do país.

Como fechamento, apenas me orgulho de ter tentado, de ter sido uma das 3 pessoas com coragem de fazê-lo entre 1300 membros. Em última instância, mesmo fracassando de maneira bem clara, eu posso dizer:

- Eu não me abstive.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Tornando-se superprodutivo

Quem nunca se pegou dizendo “depois eu faço isso” sem nenhum bom motivo, apenas para não fazer “agora”? Procrastinar é uma coisa comum entre nós, alguns mais, outros menos, mas todo mundo já deu um jeito de se convencer de fazer algo depois - mesmo que algumas vezes isso vá trazer mais problemas, como ter de fazer hora extra, fazer algo correndo, enfim. Porém existem técnicas para aumentar a produtividade e vencer esse espírito do “deixa pra depois”. Uma das técnicas mais famosas entre os taradinhos da hiperprodutividade é o GTD (de Getting Things Done ou “Fazendo as Coisas Acontecer” ou algo assim). Eu vou explicar brevemente o que é isso, ainda que não seja uma explicação lá muito precisa porque eu mesmo jamais li o livro fundador da “filosofia” GTD, apenas alguns pequenos artigos aqui e ali que me inspiraram para um método pessoal de produtividade que é parecido com GTD, mas não exatamente.

Idéia central por trás do GTD

GTD é um método que se baseia na idéia de que as pessoas tem problemas em fazer coisas - qualquer tipo de coisa. E desse problema com as coisas é que vem a ansiedade, preocupação, etc. Então, se nós nos livrássemos de alguma forma dessas “coisas” na nossa cabeça, seríamos mais felizes.

Como usar esse tal GTD

1. Todas as “coisas” precisam ser catalogadas. Isso significa ter uma lista de ações de tudo que você precisa fazer, desde “ligar para o cliente X para marcar uma reunião” até “comprar flores para o aniversário de namoro”. Tudo é colocado em listas separadas dependendo do contexto: e-mails que precisam só ser lidos vão para uma pasta, os e-mails que precisam ser respondidos vão pra outra, coisas pessoais vão em uma lista, coisas de um projeto vão em outra, bom, você entendeu, catalogar tudo.

2. Depois de catalogar tudo, começa a parte de processamento. Qualquer coisa que pode ser feita em menos de 2 minutos é feita imediatamente.

3. Todas as coisas descritas na lista de ações devem ser escritas o mais concretamente possível em ações de verdade, logo “marcar reunião” não é correto, mas sim “ligar para João e marcar reunião sobre GTD”. Isso se dá porque quanto mais aberto, mais chance de não fazermos, de ficarmos nos preocupando no “como fazer” ou de escrever algo que não é factível de ser feito.

Seguindo esses 3 pontos, o sistema em si não importa, se você quiser usar um dos inúmeros softwares de GTD que inventaram, se quiser fazer uma espécie de jogo com GTD, se quiser anotar num caderno ou no bloco de notas do computador, não importa.

O meu sistema

É bem baseado no GTD, é bem simples também:

1. Anoto tudo que preciso fazer em um documento do bloco de notas. Anoto assim [CONTEXTO] ação, por exemplo “[AIESEC] mandar e-mail marcando reunião de coach com o VP de Campinas”.

2. No início do dia organizo meu dia, deixando claro tudo que vou fazer hoje. Divido as coisas em “hoje”, “amanhã”, “essa semana”, “próxima semana” e “um dia desses” (para coisas que são só lembretes, mas que não são lá muito prioritárias pra mim).

3. Se eu não estiver perto do computador, anoto num caderninho e depois passo para o bloco de notas.

4. Começo pelas mais rápidas até as mais complexas.

5. Cada vez que “mato” uma ação, vou lá e apago do bloco de notas. É impressionante como isso dá uma sensação de alívio, você deveria experimentar.

6. Quando chego ao fim da lista de “hoje”, dou uma olhada se não devo adiantar nada, se não devo, vou fazer qualquer coisa divertida, como jogar no computador, ir ao parque, etc. É ótimo ter a mente livre de preocupações para aproveitar o ócio sem culpa.

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Leia mais: perfil de David Allen (criador do GTD) feito pela Wired

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terça-feira, 25 de setembro de 2007

Planejamento não é tudo (é no mínimo escrito a lápis)

Tinha um sujeito que queria ser desenhista. E ele tinha um bom talento para o desenho. Aí um amigo o chamou para uma faculdade que inicialmente esse sujeito achou que era de fotografia, ele achou estranho, mas acabou entrando. Então o sujeito descobriu que não era fotografia, era uma faculdade de cinema. Logo ele se apaixonou pelo troço. Ele nem imaginava que queria ser cineasta. O nome da figura era George Lucas.

Essa história exemplifica que às vezes o plano muda. Planejar é bom, mas há momentos que nem todo o planejamento do mundo vai te ajudar. Há acontecimentos que não podem ser previstos, oportunidades que aparecem do nada, novos caminhos que se apresentam atraentes e antes eram inimagináveis. Isso é principalmente verdadeiro quando falamos de uma coisa muito mais maleável que um projeto em uma companhia: a nossa vida.

Eu sou um bom exemplo de como essas coisas mudam. Eu já tive certeza que seria desenhista, analista de sistemas, webdesigner, publicitário (e dentro disso: diretor de arte, redator e depois dono de agência) e tomei bons passos para isso, só para descobrir uma coisa nova. Como eu mudei de idéia pela última vez, que era ser publicitário, então foi a coisa mais bizarra:

Eu fui a um bar com uma amiga minha, ela me apresentou uma prima sueca de uma amiga dela, eu me apaixonei pela sueca e pensei em largar tudo pra dar uma banda pelo velho continente. Acabei encontrando a AIESEC pra fazer intercâmbio pra lá, as inscrições estavam abertas, me inscrevi sem saber direito como funciona, fui selecionado, me apaixonei por gestão de pessoas trabalhando ali, deixei meu intercâmbio pra depois, comecei a namorar uma ucraniana e hoje o que eu quero é lidar com o desenvolvimento do potencial das pessoas, uma coisa que eu jamais fiz idéia antes de entrar na AIESEC e trabalhar com isso.

Não havia nenhum plano concreto para isso, apenas aconteceu. Entrar na AIESEC foi a mais pura sorte, uma jogada louca, um troço meio “ah, vamos ver”. Como diria o Steve Jobs, connecting the dots looking backward, eu não tinha como saber isso olhando para o futuro, nenhum planejamento poderia ter me dito a loucura e o impacto que uma atitude tão idiota como ir a um bar com uma amiga poderia ter na minha vida. Ir àquele bar me fez mudar de profissão, provavelmente mudar de país, apaixonar-me por uma mulher que eu jamais veria se não fizesse parte da AIESEC, enfim.

Por isso é bom algumas vezes não seguir só o planejamento, mas o coração. Tenha o planejamento pra não navegar a deriva, mas saiba aproveitar a oportunidade de um vento soprando em uma nova, promissora e desconhecida direção. Não podemos ter medo. Citando mais uma vez o meu vídeo preferido: guts, this approach has never failed me before.

domingo, 9 de setembro de 2007

Seu sonho é reter talentos? Faça-os sonhar então

Eu comecei esse post para escrever sobre um artigo que vi no ChangeThis, o artigo intitula-se The Turnover Dilemma: A Question to Keep Employees by Matthew Kelly (recomendo que você leia se entende inglês). São 10 páginas com letras BEM grandes onde basicamente o autor fala do quanto é necessário reter talentos (principalmente do ponto de vista financeiro da organização) e como fazer isso nas organizações basicamente linkando aspirações pessoais de cada funcionário com seu trabalho.

Eis um pequeno quote do artigo:

If you look at the employees of almost any company today you see people from one extreme to the other in terms of engagement: from the highly engaged to those who have quit but refuse to leave. So, what is the difference between these employees? Is it their work? No. There are janitors who are more engaged than some nurses. The nature of the work does not produce engagement in and of itself. Is it the pay scale? No. There is no amount of compensation that can guarantee engagement. Is it the employees level of intellect? No, in fact, some of the smartest people are the most disengaged from their work. So, what is the difference? Highly engaged employees tend to have a vision that they are working toward.


Ainda que eu concorde desde o princípio de que é essencial linkar aspirações pessoais com objetivos organizacionais para reter talentos, eu a princípio discordei que outros elementos, como o enriquecimento do trabalho em si e liderança não eram essenciais. Mas isso também me levou a um dilema que eu sempre tive: ok, é possível enriquecer certos cargos, fomentar trabalho em time, essa coisa toda, mas como fazer para engajar alguém com um trabalho como faxineiro, jardineiro, pedreiro, técnico em computador?

Aí lembrei da minha própria história, quando eu “suportei” um trabalho que não gostava porque sabia que ele me ajudaria a chegar no meu sonho:

Em 2001, estava no primeiro semestre da faculdade de publicidade e propaganda, mas trabalhava com montagem e conserto de microcomputadores (já que no segundo grau eu tinha feito o curso técnico de processamento de dados). Eu não tinha nenhuma experiência na área e tinha plena certeza que seria isso que me faria ser um publicitário - não a faculdade. Graças a uma incrível e inesperada ação de networking, consegui uma entrevista em uma grande agência em Porto Alegre, a já falecida Upper. Acabei sendo contratado, não como publicitário, mas como assistente do técnico de manutenção dos computadores.

Porém, a coisa era óbvia pra mim: estar dentro da agência de publicidade era metade do caminho para ser publicitário.

No primeiro mês eu fazia uma espécie de jornada dupla, arrumava os computadores e fazia as tarefas de manutenção necessárias (algo que não ocupava as 8 horas do meu dia) e no resto do tempo passava andando pra lá e pra cá na agência, entendendo como era o processo de trabalho, conhecendo o que cada área fazia, enfim, vendo o que era ser um publicitário na prática. O trabalho era bem idiota, mas eu tinha um sonho: ser publicitário. E eu sabia que aquilo por mais idiota que fosse o trabalho, aquilo ali me ajudaria a chegar ao meu sonho.

Já no fim do primeiro mês, um dos arte-finalistas, o Franco, estava saindo para uma outra agência onde ele seria diretor de arte - a evolução padrão de quem é arte-finalista e o sonho dele. Era um trabalho técnico, mas achei que seria uma ótima porta de entrada. Sempre fui muito rápido em aprender as coisas, era bom com computadores, já entendia um pouco de macintosh por conta do meu trabalho em manutenção dentro da agência e o Franco era um sujeito legal. Reconheci a oportunidade, sentei do lado dele e disse “ok, sei que tu está saindo e não quer mais fazer isso, façamos um trato, tu me ensina como fazer e eu faço teu trabalho”.

Virei arte-finalista.

Havia me livrado de uma vez por todas da assistência técnica em informática, mas não era ainda o que eu queria. Eu queria na verdade ser da criação, porque arte final era um trabalho bem técnico dentro da publicidade. Consistia basicamente em pegar o que a criação fazia e tornar aquilo viável para impressão. Porém, ser arte finalista me dava domínio dos programas usados pelos diretores de arte - ser arte-finalista era mais um passo para meu sonho, então agüentei o tranco.

Peguei o ritmo de agência, porém o trabalho de arte-finalista não me agradava muito. E o agravante era que eu estava descobrindo que eu queria sim ser da criação, mas não queria ser diretor de arte (a evolução natural do meu cargo), mas sim redator. O Word me parecia bem mais atraente do que o mouse. Então passei a me achegar mais dos redatores para ver como conseguir chegar lá. Não se passaram 2 meses e o Henrique, um dos donos da agência e também redator na criação, estava fazendo um brainstorm de alguns títulos comigo. De repente ele se levantou pra ir pegar um café ou atender o telefone, sei lá, e eu me sentei na cadeira dele e comecei a escrever alguns títulos. Quando ele voltou ficou impressionado com o que eu tinha feito. Aprovamos um dos títulos que eu tinha feito.

Voltei a minha jornada dupla a partir daí: passamos a criar diversas peças juntos. Eu atuava como diretor de arte pra ele, mesmo que não fosse o que eu gostava, era bem melhor que ser arte-finalista (que eu continuava sendo). Tinha esperança de que poderia passar para a redação desta forma - e como ainda estava recebendo como estagiário da técnica da informática, decidi pedir um aumento. Fui negado sem grande cerimônia de que eu receberia um aumento quando passasse em definitivo pra criação.

Porém, depois de uns 6 meses nessa, vi pessoas entrarem e saírem da criação e a chance não me era dada. Comecei a perceber o óbvio: eles não queriam perder um arte-finalista barato e eu não tinha chances de ser redator ali. Frustrei-me, mas decidi agir: comecei a criar meu próprio portfolio, fazendo a arte e os textos, mas para procurar outro emprego, desta vez como redator.

Em uns 3 meses consegui o emprego em uma agência de marketing interno, a Happy House. Finalmente eu seria redator. Informei para o pessoal do financeiro que ia sair, os mesmos que haviam me negado o aumento, e imediatamente eles se ofereceram para dobrar meu salário.

Foi ótimo dizer “não” para eles.

O dinheiro realmente não me interessava naquele momento. O salário no meu novo emprego seria exatamente igual à miséria que eu recebia como arte-finalista, mas ao menos eu estava chegando onde queria, ao meu sonho.

Na Happy House fiquei um pouco mais de um mês, mas logo percebi que criar para marketing interno não era o que eu queria, era muito limitado, eu queria que meu trabalho fosse para o público em geral. E aí fui chamado para ser redator em um estúdio de design, chamado Código Design. Mais uma vez mudei de emprego. O salário era um pouco melhor, mas realmente não muito, só mudei porque, mais uma vez, isso estava conectado com meu sonho de ser publicitário.


Acho que isso é prova suficiente de que, realmente, o mais importante é conectar o que cada funcionário quer da sua vida com o trabalho que ele realiza. O resto ajuda muito, como por exemplo um bom líder, mas nenhum líder pode motivar alguém que absolutamente não tem conexão com o trabalho que desempenha. O líder pode ajudar a pessoa a fazer essa conexão, mas não criá-la. Lembro-me de uma frase que exemplifica bem isso:

“Podemos levar o cavalo até água, mas é impossível obrigá-lo a bebê-la.”

Hoje eu não quero mais ser publicitário, meu sonho é trabalhar com desenvolvimento de potencial humano - coisa que descobri como vocação na AIESEC, onde ainda desempenho esse tipo de tarefa. Trabalho de graça (inclusive muito mais do que pra minha própria empresa), só porque sei que isso vai me ajudar a alcançar meu sonho no futuro.

O poder do sonho, o poder da visão, é realmente impressionante. Lembro-me de outra frase: “quem tem ‘por quê’, agüenta qualquer ‘como’”.

Uma última pergunta: você sabe quais são os seus sonhos?

- Leia também: "Se um homem não sabe a que porto se dirige, nenhum vento lhe será favorável." - Sêneca
- Leia também: War for Talent (pesquisa da McKinsey)
- Leia também: The Turnover Dilemma: A Question to Keep Employees by Matthew Kelly

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segunda-feira, 3 de setembro de 2007

"Se um homem não sabe a que porto se dirige, nenhum vento lhe será favorável." - Sêneca

Acredito que isso faz sentido pra todo mundo: se você não sabe pra onde vai, será bem difícil chegar até lá. Quero dizer, você deve pegar um táxi? Um ônibus? Um avião? Navio? Ir a pé? Pedalando? Pela direita ou esquerda?

Nenhuma das alternativas acima está errada, tudo isso depende de onde você vai.

Ir para Milão ou até o centro de Porto Alegre são coisas bem diferentes, ainda que comecem com o mesmo passo: sair de casa. Se você não sabe o seu destino, com toda certeza terá problemas na hora de planejar, o que significa que também terá problemas em chegar até o destino.

Ainda que esteja acima me referindo a lugares físicos, é fácil transportar isso para coisas não-físicas. Aonde você quer chegar? O que quer ter? Onde quer viver? Que coisas não quer abrir mão? O que deseja conquistar? O mesmo pode ser feito para sua organização: aonde minha organização quer chegar? O que queremos que nossos clientes percebam? Queremos ser os melhores? Queremos ser os mais baratos? Queremos ser os mais lucrativos? Queremos ser especializados ou generalistas? Quem desejamos que compre da nossa organização?

É impressionante a quantidade de pessoas e organizações que não sabem aonde querem chegar - e conseqüentemente não chegam onde querem.

Quando nós 5 fomos eleitos para ser a diretoria da AIESEC Porto Alegre de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2006, assumimos um comitê estava realmente mal - em resultados, baixa retenção de talentos, processos totalmente desestruturados, o planejamento estratégico era irrelevante, enfim, a coisa estava ruim mesmo.

Justamente pela situação estar ruim, nós tínhamos diversos planos de melhorar radicalmente o comitê. Aquele tinha que ser o ano da virada. Então começamos a correr para fazer tudo da maneira mais perfeita possível. Não tinha nenhum critério, íamos tentando melhorar tudo, implementando tudo, tudo que vinha nós estávamos lá fazendo. Não é de se espantar que logo no início já estivéssemos estressados e nossos resultados não condiziam muito bem com o que desejávamos. As coisas eram mais difíceis que pensávamos. No nosso planejamento nós tínhamos acordado em abraçar o mundo - e estava ficando claro que não conseguiríamos. Mas o que fazer? Estávamos um pouco perdidos ainda.

Foi aí que recebemos a visita da diretoria nacional. Nosso coach era o Marcelo, diretor responsável pela região sul, um mineiro muito gente boa que depois de ser diretor do Brasil, foi Presidente no Cono Sur e agora está na DHL em Miami. O Marcelo, na primeira reunião com todo o EB que ele participou, mal se sentou à mesa e já disparou:

- E aí, o que a AIESEC faz? E por que faz?

Aquela pergunta foi meio desconcertante, não tínhamos pensando naquilo até então. Veja só, estávamos tão cheios de coisas pra fazer que não tínhamos parado pra pensar “ok, o que é que nossa organização faz”. Quando respondemos à questão, ele nos perguntou “e o que vocês estão fazendo hoje no comitê de Porto Alegre para isso?” Não foi difícil entender que nós estávamos fazendo um monte de coisas ao mesmo tempo, mas que muitas delas não levavam ao objetivo final da AIESEC: ativar a liderança de jovens para que eles impactassem positivamente a sociedade. E se não levava ao objetivo final, era esforço e estresse inútil que estávamos fazendo. Algo como subir com um barril de vinho para o sótão só para descobrir que deveríamos tê-lo levado ao porão.

Graças ao Marcelo nós entendemos que não tínhamos claro onde queríamos chegar, qual era o legado que a nossa diretoria queria deixar. Não sabíamos o que significaria no fim do ano “sucesso” para nossa gestão. Queríamos aumentar o número de intercâmbios? Queríamos implementar AIESEC XP? Queríamos uma seleção melhor? Queríamos aumentar a retenção? Afinal, que diabos queríamos? Se nós não sabíamos, ninguém mais poderia saber.

Depois disso fomos para o nosso primeiro Team Days, um momento que a diretoria se reúne para avaliar a situação atual, traçar estratégias, enfim, parar 2 dias no final de semana para pensar a estratégia e voltar com novo gás. O Conrado, que era o presidente da AIESEC Porto Alegre, facilitou conosco a construção da nossa visão para o fim do ano. A base para a construção da visão foi a visão 2010 da AIESEC, pegamos aquela visão e fizemos esse fluxo:

- Ok, isso é pra 2010 globalmente, o que significa ter isso no CL de Porto Alegre, qual a visão do nosso comitê para 2010?
- Estamos em 2006, quais os passos que temos que dar agora para chegar nessa visão em 2010? Afinal, sabíamos que não poderíamos fazer tudo de uma vez só.

Bem simples assim (aliás, a maioria das coisas são simples, nós as complicamos).

No fim ficou uma visão super-ambiciosa, mas nós acreditávamos nela o tempo todo - e ela estava 100% ligada à visão global da AIESEC. Foi um momento histórico pra gente. Aí transformamos as palavras da visão em metas numéricas. Finalmente nós tínhamos decidido o que queríamos entregar, a visão era a “foto” do nosso comitê local ao fim do ano.

A partir daí as coisas foram muito mais fáceis. Cada coisa que pensávamos em fazer olhávamos para a visão que definimos e pensávamos “isso vai ajudar em que a chegarmos aqui?”, “isso vai impactar nossas metas?” Se era necessário, fazíamos, se não, deixávamos de lado. Fizemos acompanhamento dessa visão ao longo do ano e ao fim chegamos aonde desejávamos. O resultado foi tão bom que fomos eleitos o melhor comitê local do Brasil no final do ano.

Se me perguntassem por que fomos os melhores em 2006, na minha opinião só quatro coisas foram essenciais:

- Ter uma visão relevante e clara do que queríamos entregar naquele ano
- Acreditar 100% nessa visão.
- Ter um planejamento 100% conectado com a visão
- Constantemente acompanhar o nosso progresso rumo à visão, bem como repensar novas estratégias e ações quando necessário para alcançá-la.

O resto não foi a diretoria que fez, foram os membros. Tendo os 4 itens acima, um time minimamente competente poderia ter feito.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

O poder do pensamento positivo (sem segredo algum)

Deixe-me lhe contar uma história da minha infância. Essa história é para ilustrar meu ponto, mas é 100% verdadeira:

quanto eu tinha lá meus 10 anos ou algo em torno disso, um grande fenômeno acontecia nas vizinhanças de toda cidade, locadoras de jogos que também funcionavam como fliperamas. Se você é um pouco mais velho ou ligeiramente mais novo, não sabe do que eu estou falando, então eis uma rápida explicação: essas locadoras de jogos funcionavam como nossas locadoras comuns de DVD, só que alugavam jogos para videogame (fitas, no caso). Porém, muitas não só alugavam os jogos, mas tinham videogames instalados para se alugar por hora, de modo que se você não tivesse o videogame, também podia curtir a coisa toda. Àquela época esse troço suplantou os fliperamos com diversas vantagens, mas a principal dela é que mesmo que você fosse muito ruim, só sairia dali quando acabasse seu tempo.

Eu tinha um desses videogames intermediários (algo como hoje é o PlayStation, o primeirão) e a locadora do meu bairro estava fazendo uma promoção que o vencedor levaria um videogame de última geração (algo como o PlayStation 3). Como minha família não tinha lá muitos recursos, depositei minha fé no concurso. A coisa toda era simples, a cada hora que você jogava na locadora, ganhava um cupom, botava na urna e concorria. Até aí ótimo. Falei da promoção para minha mãe e minha vó. Esta última, ligada numa dessas filosofias de vida orientais que diz que “pensamento cria”, me disse que se eu pensasse positivo, eu ganharia o videogame. Como é, se eu acreditar que vou ganhar eu vou ganhar?

Aquilo não me parecia tão ruim.

Acreditei que ganharia. Todo dia afirmava que iria ganhar. Estava no papo. O videogame seria meu, não restava dúvidas. Obviamente jogava minha uma horinha pra meter mais cupons e reforçar a corrente positiva. Eu estava tão confiante que ia ganhar, tinha tanta certeza, que no dia do sorteio levei uma mochila vazia nas costas para carregar o videogame numa boa. Papeis para o ar, o dono da loja pega um deles na mão. Ele lê o resultado.

Não ganhei.

Como? Eu tinha feito tudo certo, pensamento positivo e tudo.

Pois é, não ganhei.

Portanto, leitores do bombado “O Segredo”, livro que não li, mas sei que fala do poder “miraculoso” do pensamento positivo, cuidado quando acreditarem que pensamento positivo por si só pode resolver tudo. A mente é muito poderosa, mas um soco no queixo também o é.

Agora uma outra história, que fala como ser positivo pode ser a solução:

Estava eu na transição da diretoria da AIESEC Porto Alegre. Eu era o mais cru do bando que havia sido eleito para liderar a organização no ano de 2006 (aliás, o melhor ano da minha vida, ainda falarei sobre isso aqui), nunca tinha trabalhado de fato com gestão de talentos, mas estava lá, na cara e na coragem para ser o Vice-Presidente de Gestão de Talentos. A diretoria antiga nos propor fazer uma das partes da transição na praia - e lá fomos nós para o “belo” litoral gaúcho. Em um momento, precisamente no almoço, eles nos propuseram um joguinho, uma dinâmica boba, muito conhecida na AIESEC, que é assim:

uma pessoa escreve em etiquetas adesivas algum tipo de instrução, por exemplo “grite comigo”, “me peça opiniões”, “discorde de mim”, “me peça ajuda”, etc etc etc. Aí essas etiquetas são coladas nas testas da pessoa, sem que essas pessoas vejam o que está escrito em sua etiqueta. Aí todo mundo age com as outras pessoas de acordo com o que está escrito na testa dessa pessoa.

É bobo, eu sei, mas é divertido.

Então começamos a interação, notei que nunca ninguém me respondia, era como se eu não estivesse na sala. Demorou bem pouco para eu descobrir que na minha testa deveria estar escrito “me ignore”. Negativista e focado no problema que era então, apenas me calei e não interagi mais, pois sabia que não seria respondido. Quando me levantei para pegar mais comida, ao voltar ao meu lugar havia alguém sentado nele. Fui almoçar sozinho, meio entristecido pelo meu papel limitador.

Hoje, muito mais positivo e focado na solução, dou risada da minha patetice e da minha falha em enxergar uma oportunidade clara por só pensar que eu tinha um problema. Quem nunca pensou em ser invisível para aprontar por aí? Imagine o poder que eu tinha nas minhas mãos, eu seria ignorado fazendo QUALQUER coisa, ou seja, eu poderia passar a mão na bunda de alguém, tirar as calças, dançar, fazer cócegas - e eu nem precisaria me levantar para pegar comida, bastaria pegar no prato de alguém que estivesse do meu lado.

Qual a diferença entre as duas histórias? A primeira eu apenas pensei positivo e esperei que o sagrado deus do pensamento positivo me ouvisse, na outra (se eu tivesse feito algo) eu teria visto uma oportunidade positiva em uma situação em que a maioria acharia negativa e tomaria uma ação para aproveitar essa oportunidade.

Então, meus amigos leitores do “O Segredo” (e minha vó também), eis o meu desabafo:

- Pense positivo, mas acima de tudo aja positivo. Aproveitar as oportunidades que ninguém vê, esse é o segredo do pensamento positivo, não há nenhuma mística nisso.

Leia também: Desafio Happy Feliz Challenge

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Se não posso fazer o que quero, então o que posso fazer?

Quantas vezes você já presenciou uma situação ruim, seja no trabalho, na faculdade, na rua, mas pensou consigo mesmo “infelizmente não tenho o poder para melhorar isso, pena”? Muitas vezes sabemos até o que poderia ser feito, mas sabemos que não podemos influenciar. Por exemplo, você sabe que sua empresa está uma droga por motivos X, Y, Z, mas você não está na posição de liderança adequada para alterar isso.

E aí você passa reto pela situação ou simplesmente fica chateado por não poder fazer nada ou então só reclama mesmo.

Eu muitas vezes já fiz isso, sentindo-me bastante frustrado. A última vez que isso me aconteceu foi no NPM (National Presidents Meeting, uma conferência nacional só para os presidentes da AIESEC Brasil). Eu não sou presidente, nem diretor nacional, sou do time de suporte nacional, então meu papel nesta conferência estava um pouco irrelevante para os meus padrões. Eu só tinha uma sessão, que considerava meio fluffy - a última do último dia, quando ta todo mundo morto de cansado. E era uma sessão de reflexão, onde a maioria simplesmente boicota pra conversar. Eu olhava praquilo e pensava “essa conferência não precisa de mim, eu não estou fazendo nenhuma influência aqui, mas que droga”.

Frustração pura.

Então no segundo dia da conferência apareceram alguns ex-membros da AIESEC para compartilhar a experiência deles, para dar uma luz na cabeça dos nossos presidentes do que fazer quando sua gestão terminar no fim do ano. Eram 4 ex-membros: Márcio Jappe (foi Presidente da AIESEC Brasil, hoje trabalha com sustentabilidade no ABN), Guga (também ex-Presidente da AIESEC Brasil, trabalhou no ABN com sustentabilidade e hoje trabalha numa ONG que fiscaliza os bancos), Zoe (foi Presidente na Austrália e Diretora da AIESEC Internacional, trabalha também no ABN com diversidade) e uma outra que eu não lembro o nome porque estava beijando a Anna nesse momento. Fizemos rodas de discussão, falaríamos com duas daquelas pessoas.

Primeiro fui falar com a Zoe, porque eu também quero ir pra AIESEC Internacional. Papo vai, papo vem, alguém faz uma pergunta mais ou menos assim “como foi a experiência de sair da AIESEC Internacional, tendo um poder imenso, para ser trainee no ABN da Holanda?”

Daí ela falou de toda a dificuldade, que no ABN ela era só mais uma trainee e na AIESEC ela tava lá no topo, a opinião dela era ouvida por estar no topo e depois avaliada, já no ABN a opinião era primeiro avaliada pra ser então ouvida. E que era bem difícil isso, mas ela sempre pensava “ok, se eu não tenho poder para fazer o que eu quero, então o que eu POSSO fazer? O que está ao meu alcance para impactar positivamente essa organização, o meu setor, o meu time, o meu colega?”

Aquilo me tocou de certa maneira. Aquela mensagem parecia quase que dirigida pra mim, algo como: você não está contente nessa conferência porque não pode ter o impacto estratégico que tu quer? Então qual impacto tu PODE fazer nessas pessoas? Se concentre nisso e impacte, pare de reclamar.

No fim da conversa, mudamos de grupo e fui falar com o Márcio Jappe. Qual não foi a minha surpresa quando uma outra pessoa fez a mesma pergunta sobre ter poder como presidente e perder o poder sendo trainee e como ele lidou com aquilo. A resposta foi praticamente igual a da Zoe. Usou quase as mesmas palavras. Aquilo estava sendo dito pra mim, eu sabia que precisava ouvir aquilo - eu tinha uma escolha a fazer, ouvir ou deixar passar.

Fui pra casa pensando profundamente nesse troço e decidi que ia parar de reclamar e causar um impacto positivo que estivesse ao meu alcance naquelas pessoas. Lembrei-me do clima morto que estava rolando na conferência. Não sei, parecia todo mundo cansado, desanimado, sentado meio deitado nas cadeiras, sem dancinhas AIESECas, sem risadas, enfim, não parecia uma conferência da AIESEC com tua sua energia. Decidi que isso era algo que eu podia mudar para tornar aquela experiência melhor para todos nós.

Então procurei a diretoria e falei desse sentimento que tive, que a própria diretoria tava meio marcha lenta (passando isso para os delegados), todos concordaram que estavam pra baixo e fizemos uma espécie de acordo para demonstrar energia no dia seguinte. Tiro e queda, o clima da conferência mudou pra melhor, já tinha até roll call sendo dançado.

Não parei por aí, umas duas horas antes da minha sessão (que tava pronta antes da conversa com os ex-membros), chamei a Anna e o Conrado para me ajudarem a ter idéias de como fazer uma metodologia muito foda para, mesmo que as pessoas estivessem cansadas por ser a última sessão do último dia, fazer com que elas refletissem e isso ajudasse na escolha dos seus caminhos futuros. Me puxei muito para fazer algo totalmente diferente das sessões de reflexão que eu já havia feito. Funcionou muito. As pessoas gostaram, a maioria tava engajada na sessão e alguns até me pediram o powerpoint pra aplicar depois.

Bingo! O poder estava na minha mão o tempo todo, só não era o poder que eu queria inicialmente, mas todo mundo tem algum poder. A escolha está em usá-lo ou ficar só reclamando.

O que está ao seu alcance mudar?