Estou abandonando este blog. Ele servia mais como um momento de reflexão e compartilhamento com as pessoas à minha volta, porém, na minha nova aventura, as pessoas à minha volta não vão falar português. Além disso, estou quebrando a minha cabeça fazendo meu trabalho de conclusão de curso, tá na hora de me comprometer com ele e acabar de uma vez com a procrastinação teórica. Chega de distrações.
Por enquanto não terei um blog sobre liderança, mas prometo documentar minha experiência na Noruega (em inglês) através do Young-Leader, meu futuro novo blog (que ainda não existe).
Em tempo: ando tendo um bocado de idéias delirantes sobre a escola do futuro.
Nos vemos por aí, jovens líderes.
segunda-feira, 3 de março de 2008
Todo começo tem um fim e vice-versa
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Sergio Schuler
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quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
Definindo meu norte
Após 1 postulação, 1 vídeo e 2 entrevistas, no último domingo fui informado por skype que havia sido selecionado para trabalhar na Noruega, mais precisamente como Diretor de Gestão de Talentos da AIESEC na Noruega! Estava sozinho em casa, o que não me impediu de gritar por aí, saltar e começar a ligar e mandar mensagem pra todo mundo.
Tenho que estar lá no dia 15 de junho deste ano e fico até o ano seguinte, mais precisamente 30 de julho de 2009. O que significa que “pularei” um inverno na minha vida, porém vou conhecer o inverno mais frio que já tive notícia.
Eu vou pra Oslo, a capital do Reino da Noruega (sim, é uma monarquia constitucional parlamentarista), que fica mais ao sul (ainda bem). Eu vou ganhar cerca de 8.500,00 coroas norueguesas (na real é 10.500,00, mas aí é sem contar os impostos), mas não se impressione com o número, porque isso significa cerca de R$ 2800,00 (só que na Noruega o custo de vida seja bem mais alto do que aqui, na real, segundo o Wikipedia é 25% mais alto que nos States).
Mas o que eu vou fazer lá? Bem, eu vou ser o Diretor Nacional de Gestão de Talentos, o que significa que eu vou liderar a estratégia para atrair, selecionar, reter e desenvolver talentos em toda a AIESEC Noruega. Como eles têm problemas de retenção de pessoas (a galera é selecionada e logo sai da AIESEC, diminuindo os resultados da organização que precisa ficar treinando todo mundo de novo) e a presidente eleita disse que gestão de talentos vai ser um dos focos do ano que vem, tenho certeza que vai ser um prato cheio essa minha nova experiência.
Não vejo a hora de botar a mão na massa!
Eis o resto da galera do comitê nacional que vai ser o meu time:
Sonam Arora
Cargo: Presidente
Nacionalidade: Indiana
Idade: 21
Sveinung Årseth
Cargo: Diretor de Projetos
Nacionalidade: Norueguês
Idade: 23
Ida Linn Måløy
Cargo: Diretora de Relações Externas e Comunicação
Nacionalidade: Norueguesa
Idade: 22
Camilla Gullberg
Cargo: Diretora de Relações Corporativas
Nacionalidade: Norueguesa
Idade: 22
E eu:
Cargo: Diretor de Gestão de Talentos
Nacionalidade: Brasileiro
Idade: 25 (26 dia 21 de janeiro agora, putz!)
E vai ter mais um(a) que será Diretor(a) de Intercâmbio, as postulações serão abertas para um 2º round, já que ninguém foi eleito pra essa posição.
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Sergio Schuler
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quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
Próximos passos (fluxo de pensamento sem muito sentido ou revisão)
Escrever me ajuda a pensar. Eis o motivo desde post.
Depois de perder a eleição, tenho pensado em como vai ser o próximo passo. Pra dizer bem a verdade, está tudo bastante incerto, mas eu estou calmo, o que é algo de se admirar, porque eu sou uma pessoa que geralmente não lida 100% bem com incertezas. Acho que estou aprendendo a ser mais flexível, quem sabe.
Certamente quero ser diretor da AIESEC em algum país, porque sei que posso (e quero) impactar a organização em um nível maior, ajudando assim a mais pessoas a descobrirem e desenvolverem seu próprio potencial que, talvez, pudesse nunca ser descoberto se não entrassem para a AIESEC (experiência própria). Porém, isso é um processo cheio de pedras onde nada é certo, já que posso ou não ser eleito. Pra piorar, existem AIESECs mais profissionais que outras - e eu não sei o que é melhor pra mim, estar entre as melhores ou entre as não tão boas. Estar entre as melhores é certamente uma grande chance de progredir, de ter pessoas talentosas ao meu lado e assim por diante. Porém estar entre as não tão boas pode abrir uma possibilidade imensa de a) mudar as coisas e impactar de forma absurda aquele país ou b) se frustrar pra caralho por não conseguir fazer nada.
Em geral as AIESECs mais fortes são mais difíceis de entrar, porém o Brasil é uma dessas AIESECs fortes e eu sou bastante conhecido por aqui. Porém outro ponto que me cutuca é o lado pessoal da coisa. A Anna provavelmente voltará pra Europa e seria bem mais simples pra nós se estivéssemos ao menos no mesmo continente. Eu entrei na AIESEC porque queria conhecer o mundo, acabei ficando no Brasil por escolha própria. Será que quero viver 1 ano em São Paulo e ter uma grande experiência profissional, porém mais uma vez deixar de lado o pessoal? Eu ando muito mais equilibrado, antes era só trabalho trabalho trabalho, mas há algum tempo comecei a balancear as coisas muito melhor. Eu ainda sacrifico-me pessoalmente pelo trabalho (e espero que os outros façam o mesmo), mas acho que estou mudando. Talvez seja a idade, talvez apenas auto-conhecimento do que eu preciso pra ser feliz. O caso é que além de tudo São Paulo é uma cidade horrível. Entre São Paulo e Praga, eu ficaria com Praga.
Por enquanto eu já me candidatei para a Noruega e Reino Unido. Penso em me candidatar também para a Bélgica, República Tcheca e, quem sabe, Brasil e Eslováquia. Todas essas AIESECs são bem diversas em resultados, tamanho, estrutura, etc. No fundo, eu ficaria feliz por algumas coisas e frustrado por outros em todas elas. Porém, qual será a que pode me trazer mais benefícios e menos malefícios?
Vou dar uma de Steve Jobs agora: vou pra frente a moda louco, depois eu conecto os pontos e vejo no que vai dar. Segura coração!
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Sergio Schuler
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sexta-feira, 16 de novembro de 2007
FAQ - Jota para MCP
Decidi responder algumas perguntas aqui sobre minha candidatura a Presidente da AIESEC no Brasil:
1. Como posso conhecer suas idéias?
Leia minha postulação em www.jotamcp.rocks.it ou fale comigo por e-mail ou msn: sergio.schuler(ARROBA)gmail.com
2. Você não acha que precisa ser do MC antes de se postular pra MCP?
Mas eu sou do MC, só não moro na casa do MC. Sou do time de suporte (líder de estratégia nacional) do MC desde janeiro deste ano, logo estou presente em duas gestões do MC: a dos Hikers e agora do MC Army.
Além disso, o que importa são as competências, não se eu fui MCVP. Segundo as próprias palavras do Elias (MCP 05-06) “Ninguém esta preparado para ser MCP, não existe nenhuma experiência na AIESEC que te prepara para esse desafio, o que conta no final é a vontade, a competência e o brilho no olho e isso você tem de sobra cara.”
3. Você é conhecido por ótimos resultados em TM, porque não se postula pra MCVPTM?
Justamente porque estou no MC há 1 ano liderando parte da estratégia de TM nacionalmente isso não é um desafio para mim. Ser MCVPTM no Brasil seria pouco desafiador, por isso me postulei para MCP.
4. Então quer dizer que se você perder a eleição pra MCP, não vai se postular?
Sim e não. Se eu não for eleito MCP, vou me postular para MCVPTM fora do Brasil, pois acredito que assim esta posição seria mais desafiante para mim, já que não terei tanto conhecimento da realidade e ainda estarei lidando com um tipo diferente de cultura e forma de trabalho.
Quer fazer uma pergunta pra mim? Deixe nos comentários.
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Sergio Schuler
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quarta-feira, 7 de novembro de 2007
SP
Estou indo pra SP trabalhar no "MC Team Days". É quando a diretoria (e o time de suporte, por isso eu vou lá), pára, vê como está a performance do planejamento, alinha algumas coisas, arruma outras e volta cheia de gás pra entregar resultados.
Volto dia 15, até lá.
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Sergio Schuler
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Jota MCP
Não tenho quatro dedos numa mão, mas decidi me candidatar à Presidência. Não do Brasil, mas no Brasil. Vou me candidatar à Presidência da AIESEC no Brasil, o cargo popularmente conhecido como MCP (Member Committee President).
A coisa toda é simples, ainda que extremamente difícil. Todo ano, todos os países da AIESEC elegem sua diretoria, incluindo aí o Presidente, que têm mandato de um ano. O processo geralmente se resume a preencher e enviar a “postulação” (um documento com perguntas cabulosas para testar o quão preparado você está pro cargo que almeja), passar por uma série de entrevistas e chats com os votantes (e responder mais uma tonelada de perguntas cabulosas), ser sabatinado em uma conferência (e, adivinhe, mais perguntas cabulosas) e aí através dos votos ser eleito ou não, o que geralmente inclui tomar litros de álcool e ser atirado em uma piscina caso eleito.
A decisão em si não foi fácil tomar. Há mais de um ano eu pensava que agora eu me candidataria a Diretor Nacional (os caras que são liderados pelo Presidente), mas percebi que meu trabalho atual (e que eu estou há quase 1 ano), que é Líder de Estratégia Nacional, é bem parecido com as funções de Diretor, principalmente a Diretoria que eu queria, que era Gestão de Talentos. Eu já dou coach para os diretores locais de gestão de talentos, facilito conferências nacionais desde o ano passado, trabalho estratégias de gestão de talentos, lidero um time nacional que cria campanhas em gestão de talentos, já criei conteúdo para uma track com cerca de 200 pessoas em conferência nacional, enfim... Eu estava 100% seguro para assumir esse cargo, o que obviamente acionou o alarme de “falta de desafio” na minha cabeça.
Eu sou movido a desafio, não agüentaria mais um ano em algo que eu aprendesse relativamente pouco comparando a quantidade de esforço despendida (sim, porque apesar de não ser lá mais tão desafiador, é um trabalho que demanda muito até do filho do Chuck Noris com Jack Welsh e criado por Steve Jobs).
Algumas pessoas quando ouviam dizer que eu me candidataria para a diretoria nacional já haviam me perguntado “pra MCP?” e eu simplesmente dizia “não, não, diretor”. Pois bem, todos vocês que me perguntaram isso, chegou a hora, votem em mim e me façam um molhado e bêbado presidente no Conal 2007.
Façam eu entrar no glorioso hall dos CEOs mais mal pagos do mundo!
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Sergio Schuler
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terça-feira, 25 de setembro de 2007
Planejamento não é tudo (é no mínimo escrito a lápis)
Tinha um sujeito que queria ser desenhista. E ele tinha um bom talento para o desenho. Aí um amigo o chamou para uma faculdade que inicialmente esse sujeito achou que era de fotografia, ele achou estranho, mas acabou entrando. Então o sujeito descobriu que não era fotografia, era uma faculdade de cinema. Logo ele se apaixonou pelo troço. Ele nem imaginava que queria ser cineasta. O nome da figura era George Lucas.
Essa história exemplifica que às vezes o plano muda. Planejar é bom, mas há momentos que nem todo o planejamento do mundo vai te ajudar. Há acontecimentos que não podem ser previstos, oportunidades que aparecem do nada, novos caminhos que se apresentam atraentes e antes eram inimagináveis. Isso é principalmente verdadeiro quando falamos de uma coisa muito mais maleável que um projeto em uma companhia: a nossa vida.
Eu sou um bom exemplo de como essas coisas mudam. Eu já tive certeza que seria desenhista, analista de sistemas, webdesigner, publicitário (e dentro disso: diretor de arte, redator e depois dono de agência) e tomei bons passos para isso, só para descobrir uma coisa nova. Como eu mudei de idéia pela última vez, que era ser publicitário, então foi a coisa mais bizarra:
Eu fui a um bar com uma amiga minha, ela me apresentou uma prima sueca de uma amiga dela, eu me apaixonei pela sueca e pensei em largar tudo pra dar uma banda pelo velho continente. Acabei encontrando a AIESEC pra fazer intercâmbio pra lá, as inscrições estavam abertas, me inscrevi sem saber direito como funciona, fui selecionado, me apaixonei por gestão de pessoas trabalhando ali, deixei meu intercâmbio pra depois, comecei a namorar uma ucraniana e hoje o que eu quero é lidar com o desenvolvimento do potencial das pessoas, uma coisa que eu jamais fiz idéia antes de entrar na AIESEC e trabalhar com isso.
Não havia nenhum plano concreto para isso, apenas aconteceu. Entrar na AIESEC foi a mais pura sorte, uma jogada louca, um troço meio “ah, vamos ver”. Como diria o Steve Jobs, connecting the dots looking backward, eu não tinha como saber isso olhando para o futuro, nenhum planejamento poderia ter me dito a loucura e o impacto que uma atitude tão idiota como ir a um bar com uma amiga poderia ter na minha vida. Ir àquele bar me fez mudar de profissão, provavelmente mudar de país, apaixonar-me por uma mulher que eu jamais veria se não fizesse parte da AIESEC, enfim.
Por isso é bom algumas vezes não seguir só o planejamento, mas o coração. Tenha o planejamento pra não navegar a deriva, mas saiba aproveitar a oportunidade de um vento soprando em uma nova, promissora e desconhecida direção. Não podemos ter medo. Citando mais uma vez o meu vídeo preferido: guts, this approach has never failed me before.
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Sergio Schuler
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segunda-feira, 3 de setembro de 2007
"Se um homem não sabe a que porto se dirige, nenhum vento lhe será favorável." - Sêneca
Acredito que isso faz sentido pra todo mundo: se você não sabe pra onde vai, será bem difícil chegar até lá. Quero dizer, você deve pegar um táxi? Um ônibus? Um avião? Navio? Ir a pé? Pedalando? Pela direita ou esquerda?
Nenhuma das alternativas acima está errada, tudo isso depende de onde você vai.
Ir para Milão ou até o centro de Porto Alegre são coisas bem diferentes, ainda que comecem com o mesmo passo: sair de casa. Se você não sabe o seu destino, com toda certeza terá problemas na hora de planejar, o que significa que também terá problemas em chegar até o destino.
Ainda que esteja acima me referindo a lugares físicos, é fácil transportar isso para coisas não-físicas. Aonde você quer chegar? O que quer ter? Onde quer viver? Que coisas não quer abrir mão? O que deseja conquistar? O mesmo pode ser feito para sua organização: aonde minha organização quer chegar? O que queremos que nossos clientes percebam? Queremos ser os melhores? Queremos ser os mais baratos? Queremos ser os mais lucrativos? Queremos ser especializados ou generalistas? Quem desejamos que compre da nossa organização?
É impressionante a quantidade de pessoas e organizações que não sabem aonde querem chegar - e conseqüentemente não chegam onde querem.
Quando nós 5 fomos eleitos para ser a diretoria da AIESEC Porto Alegre de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2006, assumimos um comitê estava realmente mal - em resultados, baixa retenção de talentos, processos totalmente desestruturados, o planejamento estratégico era irrelevante, enfim, a coisa estava ruim mesmo.
Justamente pela situação estar ruim, nós tínhamos diversos planos de melhorar radicalmente o comitê. Aquele tinha que ser o ano da virada. Então começamos a correr para fazer tudo da maneira mais perfeita possível. Não tinha nenhum critério, íamos tentando melhorar tudo, implementando tudo, tudo que vinha nós estávamos lá fazendo. Não é de se espantar que logo no início já estivéssemos estressados e nossos resultados não condiziam muito bem com o que desejávamos. As coisas eram mais difíceis que pensávamos. No nosso planejamento nós tínhamos acordado em abraçar o mundo - e estava ficando claro que não conseguiríamos. Mas o que fazer? Estávamos um pouco perdidos ainda.
Foi aí que recebemos a visita da diretoria nacional. Nosso coach era o Marcelo, diretor responsável pela região sul, um mineiro muito gente boa que depois de ser diretor do Brasil, foi Presidente no Cono Sur e agora está na DHL em Miami. O Marcelo, na primeira reunião com todo o EB que ele participou, mal se sentou à mesa e já disparou:
- E aí, o que a AIESEC faz? E por que faz?
Aquela pergunta foi meio desconcertante, não tínhamos pensando naquilo até então. Veja só, estávamos tão cheios de coisas pra fazer que não tínhamos parado pra pensar “ok, o que é que nossa organização faz”. Quando respondemos à questão, ele nos perguntou “e o que vocês estão fazendo hoje no comitê de Porto Alegre para isso?” Não foi difícil entender que nós estávamos fazendo um monte de coisas ao mesmo tempo, mas que muitas delas não levavam ao objetivo final da AIESEC: ativar a liderança de jovens para que eles impactassem positivamente a sociedade. E se não levava ao objetivo final, era esforço e estresse inútil que estávamos fazendo. Algo como subir com um barril de vinho para o sótão só para descobrir que deveríamos tê-lo levado ao porão.
Graças ao Marcelo nós entendemos que não tínhamos claro onde queríamos chegar, qual era o legado que a nossa diretoria queria deixar. Não sabíamos o que significaria no fim do ano “sucesso” para nossa gestão. Queríamos aumentar o número de intercâmbios? Queríamos implementar AIESEC XP? Queríamos uma seleção melhor? Queríamos aumentar a retenção? Afinal, que diabos queríamos? Se nós não sabíamos, ninguém mais poderia saber.
Depois disso fomos para o nosso primeiro Team Days, um momento que a diretoria se reúne para avaliar a situação atual, traçar estratégias, enfim, parar 2 dias no final de semana para pensar a estratégia e voltar com novo gás. O Conrado, que era o presidente da AIESEC Porto Alegre, facilitou conosco a construção da nossa visão para o fim do ano. A base para a construção da visão foi a visão 2010 da AIESEC, pegamos aquela visão e fizemos esse fluxo:
- Ok, isso é pra 2010 globalmente, o que significa ter isso no CL de Porto Alegre, qual a visão do nosso comitê para 2010?
- Estamos em 2006, quais os passos que temos que dar agora para chegar nessa visão em 2010? Afinal, sabíamos que não poderíamos fazer tudo de uma vez só.
Bem simples assim (aliás, a maioria das coisas são simples, nós as complicamos).
No fim ficou uma visão super-ambiciosa, mas nós acreditávamos nela o tempo todo - e ela estava 100% ligada à visão global da AIESEC. Foi um momento histórico pra gente. Aí transformamos as palavras da visão em metas numéricas. Finalmente nós tínhamos decidido o que queríamos entregar, a visão era a “foto” do nosso comitê local ao fim do ano.
A partir daí as coisas foram muito mais fáceis. Cada coisa que pensávamos em fazer olhávamos para a visão que definimos e pensávamos “isso vai ajudar em que a chegarmos aqui?”, “isso vai impactar nossas metas?” Se era necessário, fazíamos, se não, deixávamos de lado. Fizemos acompanhamento dessa visão ao longo do ano e ao fim chegamos aonde desejávamos. O resultado foi tão bom que fomos eleitos o melhor comitê local do Brasil no final do ano.
Se me perguntassem por que fomos os melhores em 2006, na minha opinião só quatro coisas foram essenciais:
- Ter uma visão relevante e clara do que queríamos entregar naquele ano
- Acreditar 100% nessa visão.
- Ter um planejamento 100% conectado com a visão
- Constantemente acompanhar o nosso progresso rumo à visão, bem como repensar novas estratégias e ações quando necessário para alcançá-la.
O resto não foi a diretoria que fez, foram os membros. Tendo os 4 itens acima, um time minimamente competente poderia ter feito.
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Sergio Schuler
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quinta-feira, 30 de agosto de 2007
O poder do pensamento positivo (sem segredo algum)
Deixe-me lhe contar uma história da minha infância. Essa história é para ilustrar meu ponto, mas é 100% verdadeira:
quanto eu tinha lá meus 10 anos ou algo em torno disso, um grande fenômeno acontecia nas vizinhanças de toda cidade, locadoras de jogos que também funcionavam como fliperamas. Se você é um pouco mais velho ou ligeiramente mais novo, não sabe do que eu estou falando, então eis uma rápida explicação: essas locadoras de jogos funcionavam como nossas locadoras comuns de DVD, só que alugavam jogos para videogame (fitas, no caso). Porém, muitas não só alugavam os jogos, mas tinham videogames instalados para se alugar por hora, de modo que se você não tivesse o videogame, também podia curtir a coisa toda. Àquela época esse troço suplantou os fliperamos com diversas vantagens, mas a principal dela é que mesmo que você fosse muito ruim, só sairia dali quando acabasse seu tempo.
Eu tinha um desses videogames intermediários (algo como hoje é o PlayStation, o primeirão) e a locadora do meu bairro estava fazendo uma promoção que o vencedor levaria um videogame de última geração (algo como o PlayStation 3). Como minha família não tinha lá muitos recursos, depositei minha fé no concurso. A coisa toda era simples, a cada hora que você jogava na locadora, ganhava um cupom, botava na urna e concorria. Até aí ótimo. Falei da promoção para minha mãe e minha vó. Esta última, ligada numa dessas filosofias de vida orientais que diz que “pensamento cria”, me disse que se eu pensasse positivo, eu ganharia o videogame. Como é, se eu acreditar que vou ganhar eu vou ganhar?
Aquilo não me parecia tão ruim.
Acreditei que ganharia. Todo dia afirmava que iria ganhar. Estava no papo. O videogame seria meu, não restava dúvidas. Obviamente jogava minha uma horinha pra meter mais cupons e reforçar a corrente positiva. Eu estava tão confiante que ia ganhar, tinha tanta certeza, que no dia do sorteio levei uma mochila vazia nas costas para carregar o videogame numa boa. Papeis para o ar, o dono da loja pega um deles na mão. Ele lê o resultado.
Não ganhei.
Como? Eu tinha feito tudo certo, pensamento positivo e tudo.
Pois é, não ganhei.
Portanto, leitores do bombado “O Segredo”, livro que não li, mas sei que fala do poder “miraculoso” do pensamento positivo, cuidado quando acreditarem que pensamento positivo por si só pode resolver tudo. A mente é muito poderosa, mas um soco no queixo também o é.
Agora uma outra história, que fala como ser positivo pode ser a solução:
Estava eu na transição da diretoria da AIESEC Porto Alegre. Eu era o mais cru do bando que havia sido eleito para liderar a organização no ano de 2006 (aliás, o melhor ano da minha vida, ainda falarei sobre isso aqui), nunca tinha trabalhado de fato com gestão de talentos, mas estava lá, na cara e na coragem para ser o Vice-Presidente de Gestão de Talentos. A diretoria antiga nos propor fazer uma das partes da transição na praia - e lá fomos nós para o “belo” litoral gaúcho. Em um momento, precisamente no almoço, eles nos propuseram um joguinho, uma dinâmica boba, muito conhecida na AIESEC, que é assim:
uma pessoa escreve em etiquetas adesivas algum tipo de instrução, por exemplo “grite comigo”, “me peça opiniões”, “discorde de mim”, “me peça ajuda”, etc etc etc. Aí essas etiquetas são coladas nas testas da pessoa, sem que essas pessoas vejam o que está escrito em sua etiqueta. Aí todo mundo age com as outras pessoas de acordo com o que está escrito na testa dessa pessoa.
É bobo, eu sei, mas é divertido.
Então começamos a interação, notei que nunca ninguém me respondia, era como se eu não estivesse na sala. Demorou bem pouco para eu descobrir que na minha testa deveria estar escrito “me ignore”. Negativista e focado no problema que era então, apenas me calei e não interagi mais, pois sabia que não seria respondido. Quando me levantei para pegar mais comida, ao voltar ao meu lugar havia alguém sentado nele. Fui almoçar sozinho, meio entristecido pelo meu papel limitador.
Hoje, muito mais positivo e focado na solução, dou risada da minha patetice e da minha falha em enxergar uma oportunidade clara por só pensar que eu tinha um problema. Quem nunca pensou em ser invisível para aprontar por aí? Imagine o poder que eu tinha nas minhas mãos, eu seria ignorado fazendo QUALQUER coisa, ou seja, eu poderia passar a mão na bunda de alguém, tirar as calças, dançar, fazer cócegas - e eu nem precisaria me levantar para pegar comida, bastaria pegar no prato de alguém que estivesse do meu lado.
Qual a diferença entre as duas histórias? A primeira eu apenas pensei positivo e esperei que o sagrado deus do pensamento positivo me ouvisse, na outra (se eu tivesse feito algo) eu teria visto uma oportunidade positiva em uma situação em que a maioria acharia negativa e tomaria uma ação para aproveitar essa oportunidade.
Então, meus amigos leitores do “O Segredo” (e minha vó também), eis o meu desabafo:
- Pense positivo, mas acima de tudo aja positivo. Aproveitar as oportunidades que ninguém vê, esse é o segredo do pensamento positivo, não há nenhuma mística nisso.
Leia também: Desafio Happy Feliz Challenge
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Sergio Schuler
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terça-feira, 28 de agosto de 2007
Se não posso fazer o que quero, então o que posso fazer?
Quantas vezes você já presenciou uma situação ruim, seja no trabalho, na faculdade, na rua, mas pensou consigo mesmo “infelizmente não tenho o poder para melhorar isso, pena”? Muitas vezes sabemos até o que poderia ser feito, mas sabemos que não podemos influenciar. Por exemplo, você sabe que sua empresa está uma droga por motivos X, Y, Z, mas você não está na posição de liderança adequada para alterar isso.
E aí você passa reto pela situação ou simplesmente fica chateado por não poder fazer nada ou então só reclama mesmo.
Eu muitas vezes já fiz isso, sentindo-me bastante frustrado. A última vez que isso me aconteceu foi no NPM (National Presidents Meeting, uma conferência nacional só para os presidentes da AIESEC Brasil). Eu não sou presidente, nem diretor nacional, sou do time de suporte nacional, então meu papel nesta conferência estava um pouco irrelevante para os meus padrões. Eu só tinha uma sessão, que considerava meio fluffy - a última do último dia, quando ta todo mundo morto de cansado. E era uma sessão de reflexão, onde a maioria simplesmente boicota pra conversar. Eu olhava praquilo e pensava “essa conferência não precisa de mim, eu não estou fazendo nenhuma influência aqui, mas que droga”.
Frustração pura.
Então no segundo dia da conferência apareceram alguns ex-membros da AIESEC para compartilhar a experiência deles, para dar uma luz na cabeça dos nossos presidentes do que fazer quando sua gestão terminar no fim do ano. Eram 4 ex-membros: Márcio Jappe (foi Presidente da AIESEC Brasil, hoje trabalha com sustentabilidade no ABN), Guga (também ex-Presidente da AIESEC Brasil, trabalhou no ABN com sustentabilidade e hoje trabalha numa ONG que fiscaliza os bancos), Zoe (foi Presidente na Austrália e Diretora da AIESEC Internacional, trabalha também no ABN com diversidade) e uma outra que eu não lembro o nome porque estava beijando a Anna nesse momento. Fizemos rodas de discussão, falaríamos com duas daquelas pessoas.
Primeiro fui falar com a Zoe, porque eu também quero ir pra AIESEC Internacional. Papo vai, papo vem, alguém faz uma pergunta mais ou menos assim “como foi a experiência de sair da AIESEC Internacional, tendo um poder imenso, para ser trainee no ABN da Holanda?”
Daí ela falou de toda a dificuldade, que no ABN ela era só mais uma trainee e na AIESEC ela tava lá no topo, a opinião dela era ouvida por estar no topo e depois avaliada, já no ABN a opinião era primeiro avaliada pra ser então ouvida. E que era bem difícil isso, mas ela sempre pensava “ok, se eu não tenho poder para fazer o que eu quero, então o que eu POSSO fazer? O que está ao meu alcance para impactar positivamente essa organização, o meu setor, o meu time, o meu colega?”
Aquilo me tocou de certa maneira. Aquela mensagem parecia quase que dirigida pra mim, algo como: você não está contente nessa conferência porque não pode ter o impacto estratégico que tu quer? Então qual impacto tu PODE fazer nessas pessoas? Se concentre nisso e impacte, pare de reclamar.
No fim da conversa, mudamos de grupo e fui falar com o Márcio Jappe. Qual não foi a minha surpresa quando uma outra pessoa fez a mesma pergunta sobre ter poder como presidente e perder o poder sendo trainee e como ele lidou com aquilo. A resposta foi praticamente igual a da Zoe. Usou quase as mesmas palavras. Aquilo estava sendo dito pra mim, eu sabia que precisava ouvir aquilo - eu tinha uma escolha a fazer, ouvir ou deixar passar.
Fui pra casa pensando profundamente nesse troço e decidi que ia parar de reclamar e causar um impacto positivo que estivesse ao meu alcance naquelas pessoas. Lembrei-me do clima morto que estava rolando na conferência. Não sei, parecia todo mundo cansado, desanimado, sentado meio deitado nas cadeiras, sem dancinhas AIESECas, sem risadas, enfim, não parecia uma conferência da AIESEC com tua sua energia. Decidi que isso era algo que eu podia mudar para tornar aquela experiência melhor para todos nós.
Então procurei a diretoria e falei desse sentimento que tive, que a própria diretoria tava meio marcha lenta (passando isso para os delegados), todos concordaram que estavam pra baixo e fizemos uma espécie de acordo para demonstrar energia no dia seguinte. Tiro e queda, o clima da conferência mudou pra melhor, já tinha até roll call sendo dançado.
Não parei por aí, umas duas horas antes da minha sessão (que tava pronta antes da conversa com os ex-membros), chamei a Anna e o Conrado para me ajudarem a ter idéias de como fazer uma metodologia muito foda para, mesmo que as pessoas estivessem cansadas por ser a última sessão do último dia, fazer com que elas refletissem e isso ajudasse na escolha dos seus caminhos futuros. Me puxei muito para fazer algo totalmente diferente das sessões de reflexão que eu já havia feito. Funcionou muito. As pessoas gostaram, a maioria tava engajada na sessão e alguns até me pediram o powerpoint pra aplicar depois.
Bingo! O poder estava na minha mão o tempo todo, só não era o poder que eu queria inicialmente, mas todo mundo tem algum poder. A escolha está em usá-lo ou ficar só reclamando.
O que está ao seu alcance mudar?
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Sergio Schuler
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domingo, 26 de agosto de 2007
Sobre o jovem líder e o Jovem Líder
Se você não me conhece, aí vai o serviço: meu nome é Sérgio, mas muita gente me chama de Jota, Henrique, Rick ou Schüler, alguns ainda me conhecem por Dark (de DarkSpark), e apenas uma pessoa me conhece por Sete Quedas e uma outra por Chíler. Sei que só dizer isso não basta para conhecer ninguém, mas é um bom começo.
Há algum tempo tenho um blog, chamado Textorama, em que geralmente escrevo meus contos ficcionais e dou opiniões aleatórias sobre TV, cinema, música, enfim. Porém há algum tempo sinto a necessidade de escrever sobre um outro tópico - desenvolvimento de liderança - e absolutamente aquele não me parecia ser o lugar. Então aqui estamos, um novo blog, o Jovem Líder.
Essa necessidade de escrever sobre desenvolvimento de liderança vem principalmente de uma intensa experiência que vivo desde 2005 na AIESEC, uma organização que serve como plataforma de desenvolvimento de liderança para jovens.
Entrei na AIESEC em 2005 de uma maneira 100% aleatória: queria viajar para a Suécia, uma amiga minha (que não conhecia a AIESEC) disse pra mim que esse pessoal fazia intercâmbio (o que fazemos, mas apenas como um dos mais poderosos "módulos" nessa experiência de desenvolvimento de liderança) e eu me inscrevi. Descobri que a AIESEC não era só sobre intercâmbio, mas sim sobre desenvolvimento de liderança. Aí uma coisa levou a outra e acabei sendo eleito para Vice-Presidente de Desenvolvimento de Pessoas da AIESEC Porto Alegre para o ano de 2006. Aí no fim de 2006, já no final do meu termo na diretoria de Porto Alegre, me candidatei para ser do time de suporte da AIESEC no Brasil, o cargo é uma sigla praticamente infinita: NSL BPDF (National Strategy Leader of the Brazilian People Development Framework). Aí no meio de 2007 meu cargo mudou pra algo mais interessante, sou o líder do BTMU (Brazilian Talent Management Unit). E no ano que vem pretendo ser diretor nacional de gestão de talentos - se for eleito.
E então este blog será o lugar onde eu vou compartilhar as alegrias e frustrações no eterno caminho do desenvolvimento de liderança, as experiências, as pessoas que me influenciam, minhas metas para o futuro, compartilhar alguns recursos, fazer reflexões, enfim, falar sobre tudo relacionado a experiência do o que, por que e como da liderança.
PS: continuarei escrevendo contos no outro blog.