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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Noruega antes de junho

Na verdade eu vou pra ficar 1 ano na Noruega só em junho, mas já em março vou dar um "pulo" lá. Acontece que no fim de março acontece uma reunião anual de direcionamento estratégico da AIESEC na Noruega e logo depois dessa reunião há uma conferência nacional que serve para transição das diretorias locais (lá o termo das diretorias locais não é que nem na AIESEC Brasil, que é de janeiro a dezembro, mas sim de abril a março). Como eles me querem lá, eu vou com muito prazer. Não, eu não sou rico, é que a AIESEC na Noruega vai financiar boa parte da empreitada. :)

Eu vou dia 23/março e volto dia 31/março, e vou participar dessa reunião estratégica e serei facilitador na conferência nacional lá. Vai ser sem dúvida o ouro: eu vou conhecer meu time, vou conhecer as diretorias locais que eu vou liderar durante metade de 2008 e 2009, vou poder dar meus palpites no direcionamento estratégico e já começar a chutar o balde no estilo "gestão por resultados" que eu tanto idolatro.

Em resumo, vou tocar o horror.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Eu não me abstive

Resultados imprevisíveis para a eleição para presidente da AIESEC no Brasil (MCP): nunca tivemos tantos candidatos (três) e nunca tivemos esse resultado: nenhum dos candidatos eleitos, graças a abstenção em massa dos comitês locais na hora de votar (11 abstenções, 2 votos em mim, 2 votos na Mari e 2 votos para o Túlio). Posso dizer que fiquei um pouco entristecido. Não por não ter sido eleito, porque afinal eu entrei preparado para ganhar ou pra perder, mas por ninguém ter sido eleito.

É meio duro perder pra ninguém.

Vejo esse resultado como uma mensagem clara de que nenhum de nós 3 conseguiu convencer os comitês de que estávamos preparados e éramos as pessoas certas para liderar a organização nos anos de 2008 e 2009. Digo que nenhum “conseguiu”, dando atenção especial a essa palavra, porque acredito sim que eu estava preparado, mesmo depois de todos os feedbacks que recebi do porque não consegui o voto das pessoas.

Ou seja, concordo que não me apresentei bem, não encantei as pessoas, não atendi suas expectativas, porém discordo do resultado. Foi sem dúvida um grande aprendizado, até pelos feedbacks que recebi. Os mais recorrentes que recebi foram esses:

- Simplificação em excesso - eu parecia ver tudo de uma forma bem simplista, quase que prosaica dos problemas da AIESEC no Brasil, passando a idéia de que resolvê-los era fácil (o que não é de nenhuma forma verdadeiro).

- Arrogância - Até por eu dizer que as coisas eram simples, parecia um pouco arrogante da minha parte, como se ninguém tivesse conseguido fazer o que eu tinha como visão para a AIESEC no Brasil por pura burrice. Não ajudava também minha expressão corporal na hora de responder às perguntas, que para a grande parte da platéia soou como arrogante, quando na verdade eu gostaria apenas de passar confiança.

- Falta de praticidade, o popular “como vai fazer isso? - apesar de eu ter uma direção estratégica bem clara para a organização, eu não mostrei a maneira que eu ia conseguir fazer isso. Faltou detalhismo, faltou contextualizar, faltou convencer as pessoas de que eu realmente conseguiria fazer isso.

- Relacionamento interpessoal fraco - eu sou a pessoa mais tosca do mundo em cultivar amizades, ser carismático e puxar assuntos. Ser competente (ainda mais no Brasil), não é o suficiente, é preciso ser legal. Nisso eu estou a zilhões de anos luz do ideal.

Eis os meus comentários sobre esses feedbacks e a relação disso com um MCP ideal:

“Simplificação em excesso” e “falta de praticidade, o popular ‘como vai fazer isso?’” - Concordo plenamente que eu fiz isso e foi um erro, afinal, como diz o Márcio Jappe “nunca subestime a ignorância alheia” (o que significa não um xingamento, mas sim que omitir informações importantes achando que as pessoas entendem sem isso é geralmente um erro). Como disse, concordo com o feedback, porém sinceramente acho muito mais importante para um presidente saber a direção a seguir do que exatamente como fazer em detalhes (afinal, há um time de especialistas em cada área justamente para isso, saber como fazer).

Acredito que isso tenha muito a ver com estilo de liderança. Eu dificilmente seria um líder impositor e que pretende saber tudo sobre tudo. Eu não quero um time de “tarefeirtos”, eu quero um time que me complete e que saiba pensar. Uma vez que a visão aponta pra uma direção, nós decidimos juntos como é a melhor forma de chegar lá. Se a idéia é que o presidente tenha o plano operacional de cada área na cabeça e que saiba tudo sobre todos os subsistemas, realmente então seria um erro me eleger, porque eu não penso que isso seja o principal pra um presidente.

No fim das contas, eu jamais disse que seria “fácil”. “Simples” e “fácil” são coisas bem diferentes. Einstein disse "A Natureza é exatamente simples, se conseguirmos encará-la de modo apropriado", se alguém acha que o pensamento de Einstein é simplório ou fácil, que levante a mão. Eu apenas encaro os problemas de maneira simples: se meu cachorro morrer, é simples, vou enterrá-lo, mas isso de modo algum será fácil emocionamente. É questão de posicionamento, “se não tem solução, está solucionado”.

“Arrogância” e “relacionamento interpessoal fraco” - arrogância tem a ver com eu simplificar demais e também com eu ser muito ruim em fazer conexões com as pessoas. Parece que sou arrogante, mas eu simplesmente evito as pessoas porque não tenho muito o que dizer a elas.

Acho até bem importante o presidente ser bom em lidar com pessoas fora do trabalho e fazer conexões, porém isso eu consigo fazer muito bem com um grupo de pessoas seleto (meu time, por exemplo). O problema é ser amigo de todos 500 delegados ou 1300 membros da AIESEC no Brasil. Mais uma vez, o feedback é verdadeiro, mas não acho que seja esse o ponto crucial de sucesso de um presidente. A bem da verdade, eu preciso que o meu time me ache foda e que o resto ache o meu time foda. Eu quero que os membros do meu time brilhem, eu não preciso estar nos holofotes.

E por que eu acho que seria um bom presidente?

- Eu tinha uma visão - a visão era um pouco diferente do atual, mas na minha óptica da coisa bem condizente com o planejamento de longo prazo e razoável para alcançar as metas de 2008-09, além de dar um passo importante rumo a visão 2010. Talvez os comitês gostariam que eu expressasse essa visão de maneira mais clara, porém fracassei em fazê-lo, principalmente com 2 minutos para fazê-lo entre cada pergunta.

- Foco em resultado e desenvolvimento de pessoas - ir em busca dos resultados incessantemente é uma das minhas características e o resto não importa (até por isso eu sou pragmático e “simplista”), porém em uma organização como a AIESEC não dá pra perder de vista também o desenvolvimento do time. Em última instância, esses seria meus motes: resultado e desenvolvimento.

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Essas são as reflexões apenas alguns dias depois do ocorrido. Com certeza mais virão, minhas idéias podem até mudar radicalmente, quem sabe? Mas por enquanto eu realmente não concordo com a decisão - porém a aceito com o coração aberto, sabendo que o erro maior foi meu do que do processo de eleição ou dos comitês que votaram.

É muito improvável que eu me candidate novamente para esse segundo round. Na verdade agora estou procurando oportunidades fora do país, em outra AIESEC. Quero ser MCVP fora do país.

Como fechamento, apenas me orgulho de ter tentado, de ter sido uma das 3 pessoas com coragem de fazê-lo entre 1300 membros. Em última instância, mesmo fracassando de maneira bem clara, eu posso dizer:

- Eu não me abstive.

sábado, 8 de dezembro de 2007

Conferência - ausência

Sei que não tenho escrito nada aqui, mas é a correria da eleição. Estou indo pra SP e só volto dia 20, eleito ou não.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

SDL Sul, não foi “mais uma” conferência da AIESEC

ENTENDENDO AS CONFERÊNCIAS DA AIESEC (se você é um membro, pode pular essa parte e ir direto pra parte que fala do SDL Sul)

Conferências na AIESEC são sempre momentos de inspiração, aprendizado, conhecer e reencontrar pessoas que te inspiram e/ou que você inspira, trabalho intenso por vários dias (todo dia começa lá pelas 8h da manhã e termina lá pelas 21h, sem contar obviamente a festa depois disso) e muita diversão.

Além disso, na AIESEC, conferências tem um papel fundamental. Por quê? Isso acontece pela própria estrutura da AIESEC, que funciona assim:

- existe a AI (AIESEC International), que é, digamos assim, a instância máxima da organização, a “diretoria mundial”.

- Aí existem os MCs (Member Committees), que são as “diretorias nacionais”. Como a AIESEC está presente em cerca de 100 países e territórios, existem cerca de 100 diretorias nacionais.

- E finalmente existem os LCs (Local Committees), que são os comitês locais em cada cidade, subordinados a diretoria nacional.

Porém a coisa não funciona assim “de cima pra baixo”, ao contrário, a estrutura da AIESEC poderia ser simbolizada de cabeça pra baixo: os comitês locais são os caras que fazem a coisa acontecer, que entregam os resultados, aí a diretoria nacional oferece suporte para que esses comitês tenham boa performance e a diretoria mundial oferece suporte para as diretorias nacionais. Ou seja, todos os resultados acontecem em nível local. E aí entra o papel das conferências:

Imagine se cada um desses comitês locais estiver seguindo uma estratégia diferente, entregando produtos diferentes, enfim, fazendo coisas diferentes. Isso significaria que a AIESEC não teria uma boa performance, porque seria tudo meio randômico. Por isso as conferências são o grande momento de juntar “todo mundo” e passar a mensagem certa, alinhando conhecimentos, capacitando as pessoas para entregar os resultados.

Conferências internacionais, nacionais, regionais e locais são um dos modos que a AIESEC encontrou para se comunicar com 22 mil membros espalhados por mais de 100 países. Elas são um momento sempre especial, aliás, o primeiro contato que temos com a AIESEC quando viramos membro é em uma conferência local.

SOBRE O SDL SUL

Essa conferência foi especial. É a 7a conferência da AIESEC em que fui facilitador e posso dizer que essa provavelmente foi onde mais as pessoas pareciam motivadas por aprender durante toda ela. O time organizador da conferência (divididos em “logística” e “facilitadores”, respectivamente responsáveis por infra-estrutura e conteúdo) geralmente é quem precisa ser energético e motivador para inspirar os delegados, mas parece que desta vez aconteceu ao contrário - os delegados passaram sua energia a quem organizava, que a retransmitia de volta a eles e assim criamos um ciclo virtuoso.

Fiquei muito feliz porque fui avaliado muito bem como facilitador pelas pessoas que assistiram, de 1 a 5, sendo 1 o mais medonho e o 5 o mais fucking power, variei sempre entre o 4 e o 5. Fiquei ainda mais feliz porque a Lubi, uma das pessoas que me viu facilitar pela primeira vez e acompanhou todas as vezes praticamente em que fiz isso, me deixou um recado dizendo-me que evoluí mais ainda como facilitador. Aliás, todos os recados que recebi no final da conferência eram sobre isso. Muito legal. E parabéns para a Lubi, minha liderada desde 2006, pois acho que esta foi a primeira conferência fora do comitê local que ela facilitou e ela também foi muito bem avaliada, matou a pau!

Essa conferência foi diferente também porque era a primeira em que estava namorando. :) E foi tão bom revê-la!

Além disso, revi a sempre enérgica Laura (da Lituânia) e conheci pessoas muito legais, como o Tunak (indiano, outro que não acaba a pilha nunca).

O SDL Sul foi um grande ponto positivo, profissionalmente e pessoalmente. Agora é com os comitês locais a implementação de todas as coisas que vimos e debatemos lá.

Eu estava pensando em postar fotos, mas o Blogger está com algum problema e não está aceitando-as.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Ausência

Ficarei ausente até segunda. Estou indo no SDL (Seminário de Desenvolvimento de Liderança), que é uma conferência regional da AIESEC. Serei facilitador lá, o que significa que vou ajudar a galera aprender algumas coisas.

Esses momentos de conferência são sempre muito legais - cansativos, mas muito legais.

Até a volta.

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Se não posso fazer o que quero, então o que posso fazer?

Quantas vezes você já presenciou uma situação ruim, seja no trabalho, na faculdade, na rua, mas pensou consigo mesmo “infelizmente não tenho o poder para melhorar isso, pena”? Muitas vezes sabemos até o que poderia ser feito, mas sabemos que não podemos influenciar. Por exemplo, você sabe que sua empresa está uma droga por motivos X, Y, Z, mas você não está na posição de liderança adequada para alterar isso.

E aí você passa reto pela situação ou simplesmente fica chateado por não poder fazer nada ou então só reclama mesmo.

Eu muitas vezes já fiz isso, sentindo-me bastante frustrado. A última vez que isso me aconteceu foi no NPM (National Presidents Meeting, uma conferência nacional só para os presidentes da AIESEC Brasil). Eu não sou presidente, nem diretor nacional, sou do time de suporte nacional, então meu papel nesta conferência estava um pouco irrelevante para os meus padrões. Eu só tinha uma sessão, que considerava meio fluffy - a última do último dia, quando ta todo mundo morto de cansado. E era uma sessão de reflexão, onde a maioria simplesmente boicota pra conversar. Eu olhava praquilo e pensava “essa conferência não precisa de mim, eu não estou fazendo nenhuma influência aqui, mas que droga”.

Frustração pura.

Então no segundo dia da conferência apareceram alguns ex-membros da AIESEC para compartilhar a experiência deles, para dar uma luz na cabeça dos nossos presidentes do que fazer quando sua gestão terminar no fim do ano. Eram 4 ex-membros: Márcio Jappe (foi Presidente da AIESEC Brasil, hoje trabalha com sustentabilidade no ABN), Guga (também ex-Presidente da AIESEC Brasil, trabalhou no ABN com sustentabilidade e hoje trabalha numa ONG que fiscaliza os bancos), Zoe (foi Presidente na Austrália e Diretora da AIESEC Internacional, trabalha também no ABN com diversidade) e uma outra que eu não lembro o nome porque estava beijando a Anna nesse momento. Fizemos rodas de discussão, falaríamos com duas daquelas pessoas.

Primeiro fui falar com a Zoe, porque eu também quero ir pra AIESEC Internacional. Papo vai, papo vem, alguém faz uma pergunta mais ou menos assim “como foi a experiência de sair da AIESEC Internacional, tendo um poder imenso, para ser trainee no ABN da Holanda?”

Daí ela falou de toda a dificuldade, que no ABN ela era só mais uma trainee e na AIESEC ela tava lá no topo, a opinião dela era ouvida por estar no topo e depois avaliada, já no ABN a opinião era primeiro avaliada pra ser então ouvida. E que era bem difícil isso, mas ela sempre pensava “ok, se eu não tenho poder para fazer o que eu quero, então o que eu POSSO fazer? O que está ao meu alcance para impactar positivamente essa organização, o meu setor, o meu time, o meu colega?”

Aquilo me tocou de certa maneira. Aquela mensagem parecia quase que dirigida pra mim, algo como: você não está contente nessa conferência porque não pode ter o impacto estratégico que tu quer? Então qual impacto tu PODE fazer nessas pessoas? Se concentre nisso e impacte, pare de reclamar.

No fim da conversa, mudamos de grupo e fui falar com o Márcio Jappe. Qual não foi a minha surpresa quando uma outra pessoa fez a mesma pergunta sobre ter poder como presidente e perder o poder sendo trainee e como ele lidou com aquilo. A resposta foi praticamente igual a da Zoe. Usou quase as mesmas palavras. Aquilo estava sendo dito pra mim, eu sabia que precisava ouvir aquilo - eu tinha uma escolha a fazer, ouvir ou deixar passar.

Fui pra casa pensando profundamente nesse troço e decidi que ia parar de reclamar e causar um impacto positivo que estivesse ao meu alcance naquelas pessoas. Lembrei-me do clima morto que estava rolando na conferência. Não sei, parecia todo mundo cansado, desanimado, sentado meio deitado nas cadeiras, sem dancinhas AIESECas, sem risadas, enfim, não parecia uma conferência da AIESEC com tua sua energia. Decidi que isso era algo que eu podia mudar para tornar aquela experiência melhor para todos nós.

Então procurei a diretoria e falei desse sentimento que tive, que a própria diretoria tava meio marcha lenta (passando isso para os delegados), todos concordaram que estavam pra baixo e fizemos uma espécie de acordo para demonstrar energia no dia seguinte. Tiro e queda, o clima da conferência mudou pra melhor, já tinha até roll call sendo dançado.

Não parei por aí, umas duas horas antes da minha sessão (que tava pronta antes da conversa com os ex-membros), chamei a Anna e o Conrado para me ajudarem a ter idéias de como fazer uma metodologia muito foda para, mesmo que as pessoas estivessem cansadas por ser a última sessão do último dia, fazer com que elas refletissem e isso ajudasse na escolha dos seus caminhos futuros. Me puxei muito para fazer algo totalmente diferente das sessões de reflexão que eu já havia feito. Funcionou muito. As pessoas gostaram, a maioria tava engajada na sessão e alguns até me pediram o powerpoint pra aplicar depois.

Bingo! O poder estava na minha mão o tempo todo, só não era o poder que eu queria inicialmente, mas todo mundo tem algum poder. A escolha está em usá-lo ou ficar só reclamando.

O que está ao seu alcance mudar?